Calor ou fogacho: como diferenciar e entender o que seu corpo está dizendo

Você já sentiu uma onda repentina de calor subir pelo peito, alcançar o rosto e deixar a pele avermelhada em questão de segundos?

Ou, em outro momento, apenas percebeu que estava quente porque o ambiente estava abafado ou porque havia acabado de fazer um esforço físico?

À primeira vista, tudo parece “calor”. Mas quando falamos em calor ou fogacho, estamos falando de experiências fisiológicas diferentes e compreender essa diferença é essencial, principalmente durante a transição para a menopausa.

Muitas mulheres começam a perceber mudanças no corpo por volta dos 40 ou 50 anos e ficam em dúvida: isso é apenas calor do ambiente ou é um fogacho?

Saber identificar os sinais ajuda não apenas no conforto diário, mas também na decisão de procurar orientação médica quando necessário.

O que é o calor comum?

Sentir calor faz parte da vida. Nosso corpo possui um sistema sofisticado de controle térmico, coordenado por uma região do cérebro chamada hipotálamo.

Ele funciona como um “termostato interno”, mantendo a temperatura corporal dentro de limites seguros.

Quando o ambiente está quente, quando praticamos atividade física ou quando estamos sob estresse, o corpo reage aumentando a circulação sanguínea na pele e produzindo suor.

Esse processo é chamado de vasodilatação periférica e sudorese (mecanismos naturais que ajudam a dissipar o calor).

Nessas situações, a sensação costuma surgir de forma gradual, envolver o corpo todo, melhorar quando nos refrescamos e durar enquanto o fator desencadeante estiver presente.

Por exemplo, depois de caminhar sob o sol, é esperado que o corpo aqueça e sue. Ao entrar em um ambiente ventilado e beber água, a temperatura tende a se estabilizar.

Esse é o funcionamento fisiológico normal.

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O que são fogachos?

Os fogachos (também chamados de ondas de calor) são diferentes. Eles são episódios súbitos de calor intenso, geralmente concentrados no tronco, pescoço e rosto, frequentemente acompanhados de vermelhidão e sudorese.

A principal causa está nas alterações hormonais, especialmente na queda dos níveis de estrogênio durante a perimenopausa e menopausa.

Aliás, os fogachos são um dos sintomas mais comuns da menopausa e resultam de mudanças na forma como o cérebro regula a temperatura corporal diante das oscilações hormonais.

Em termos práticos, o corpo passa a “reagir demais” a pequenas variações térmicas, como se houvesse um superaquecimento real.

É como se o “termostato interno” ficasse mais sensível.

Como o fogacho acontece no corpo?

De forma simplificada, o estrogênio influencia a estabilidade do centro regulador de temperatura no cérebro. Quando seus níveis começam a oscilar, o intervalo considerado “normal” pelo organismo se estreita. Pequenas mudanças podem ser percebidas como calor excessivo.

O corpo então reage rapidamente: dilata os vasos sanguíneos da pele, aumenta a sudorese e pode acelerar discretamente os batimentos cardíacos. O resultado é aquela onda intensa que parece surgir do nada e, geralmente, dura de 30 segundos a poucos minutos.

Depois, muitas mulheres relatam uma sensação de frio ou calafrio, consequência da perda rápida de calor pelo suor.

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Calor ou fogacho: como diferenciar na prática

Na teoria, entender o mecanismo é importante. Mas, no dia a dia, o que realmente ajuda é observar como o episódio acontece no seu corpo.

Pequenos detalhes no padrão, na intensidade e na forma como o calor surge podem indicar se estamos diante de uma resposta fisiológica normal ou de um fogacho típico da transição hormonal.

Observe o início e a duração

O calor comum costuma ter uma causa clara e vai “chegando” aos poucos: clima quente, exercício, roupas inadequadas, digestão ou estresse.

Pode persistir por mais tempo, enquanto o gatilho existir. Já o fogacho tem início abrupto, como um “pico” de calor, e tende a durar poucos minutos.

Perceba onde o calor se concentra

No calor comum, a sensação geralmente é mais uniforme. No fogacho, o calor costuma começar no peito ou no pescoço e subir para o rosto, com rubor visível em muitas mulheres. Esse detalhe é bastante característico.

Repare nos sintomas associados

Fogachos podem vir acompanhados de suor repentino, sensação de coração acelerado e, em alguns casos, uma ansiedade breve.

No calor ambiental, isso tende a ser menos abrupto. A diferença não é apenas “o quanto está quente”, mas a forma como o episódio acontece.

Note o padrão ao longo do dia

O fogacho costuma acontecer em episódios repetidos, às vezes várias vezes ao dia, e também pode surgir durante a noite, causando suores noturnos e interrupção do sono.

O calor comum costuma depender de contexto: horário mais quente do dia, banho quente, treino, roupas pesadas.

Veja como o corpo responde ao alívio

No calor comum, refrescar-se (ventilador, água, ambiente mais fresco) costuma resolver rapidamente. No fogacho, essas medidas ajudam, mas o episódio muitas vezes segue um “ciclo” próprio e passa sozinho em poucos minutos.

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E se não for menopausa?

Embora fogachos sejam mais comuns na transição para a menopausa, nem toda onda de calor nessa fase é obrigatoriamente hormonal.

Outras condições podem provocar sintomas parecidos, como alterações da tireoide, ansiedade intensa, uso de alguns medicamentos e infecções.

Por isso, o contexto importa. Uma mulher entre 45 e 55 anos com ciclos menstruais irregulares e alterações do sono, por exemplo, pode estar vivendo sintomas típicos da perimenopausa.

Já episódios frequentes de calor intenso em mulheres jovens ou em homens merecem avaliação mais cuidadosa.

Quando procurar avaliação médica

Procure orientação profissional se os episódios forem muito frequentes e incapacitantes, se houver suores noturnos repetidos que interrompam o sono ou se surgirem sinais que preocupem, como dor no peito, falta de ar, perda de peso sem explicação ou palpitações persistentes.

Em orientações gerais, o Ministério da Saúde reforça que sintomas persistentes e que afetam a qualidade de vida devem ser avaliados por um profissional de saúde, especialmente quando interferem no sono, no trabalho ou no bem-estar emocional.

O acompanhamento médico ajuda a confirmar a causa, orientar exames quando necessário e discutir opções seguras de manejo. Em alguns casos, pode-se considerar terapia hormonal individualizada ou alternativas, sempre com avaliação de riscos e benefícios.

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O que pode ajudar no dia a dia

Mesmo antes de qualquer tratamento específico, algumas medidas simples costumam reduzir o desconforto.

Manter o ambiente ventilado, vestir roupas em camadas e preferir tecidos respiráveis costuma ajudar bastante.

Reduzir álcool, cafeína e alimentos muito condimentados pode diminuir a intensidade ou a frequência em algumas mulheres.

A atividade física regular também costuma ser aliada, tanto por favorecer a saúde cardiovascular quanto por contribuir com o sono e o humor, pontos que frequentemente ficam mais sensíveis nessa fase.

Além disso, técnicas de respiração lenta, relaxamento e manejo do estresse podem reduzir a intensidade percebida das ondas, principalmente quando há ansiedade associada.

O mais importante: escutar o corpo

Entender a diferença entre calor ou fogacho não é apenas uma curiosidade médica. É uma forma de interpretar sinais corporais com mais segurança.

O calor comum é uma resposta fisiológica adaptativa. O fogacho é uma manifestação neuroendócrina que, na maioria das vezes, se relaciona às oscilações hormonais da menopausa.

Ambos são reais. Ambos são válidos. Mas exigem leituras diferentes. Quando a mulher compreende o que está acontecendo, o medo diminui.

E quando os sintomas ultrapassam o desconforto ocasional e começam a afetar a qualidade de vida, buscar orientação profissional é um passo de autocuidado.

A transição hormonal é uma fase natural. Informação clara e baseada em evidência é o que transforma essa etapa em um processo mais consciente e menos assustador.

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Enf. Raquel Souza de Faria

Sou Raquel Souza de Faria, Enfermeira (COREN – MG 212.681) Especialista em Docência do Ensino Superior, Consultora de Enfermagem em Núcleo de Segurança do Paciente, Gestora de Serviços de Atenção Básica/Saúde da Família. Empresária e Empreendedora, amante da Fitoterapia e das Terapias Holísticas, oferecendo bem-estar e prevenção de doenças como Auriculoterapêuta e Esteticista.
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