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Confusão mental ou demência? Você pode estar interpretando errado os sinais
Imaginem a seguinte cena: a filha traz o pai idoso à consulta neurológica com a queixa de que ele vem apresentando confusão mental, uma sonolência e até uma irritabilidade nos últimos 30 dias.
Ela se preocupa que ele possa ter tido um AVC ou, quem sabe, que ele tenha um diagnóstico de doença de Alzheimer.
Há uma pergunta que precisamos fazer durante a consulta e investigar em pacientes idosos — e que já pode representar um passo importante para a melhora da queixa:
“Foi administrado algum medicamento diferente nos últimos 30 dias?”
Nem todo medicamento é inofensivo para o cérebro do paciente idoso.
Classes de medicamentos que podem causar confusão mental em idosos
Antes de detalhar, vale destacar três grupos principais:
- Anticolinérgicos
- Benzodiazepínicos e hipnóticos Z
- Opioides
Anticolinérgicos
Começando pelos anticolinérgicos.
Anticolinérgicos são uma classe de medicamentos que basicamente “secam” e relaxam.
São usados, por exemplo, para bexiga hiperativa, alergias e alguns quadros depressivos.
A acetilcolina, que é uma substância inibida por essa classe de medicamentos, é uma substância muito importante para a nossa memória e para a nossa atenção.
O que faz com que esses medicamentos possam gerar confusão mental, sonolência, eventualmente tontura, que são queixas reversíveis após a suspensão desses medicamentos.
Benzodiazepínicos e hipnóticos Z
A segunda classe são os benzodiazepínicos — as famosas receitas azuis — e os hipnóticos Z, que são medicamentos frequentemente prescritos quando a gente tem uma queixa de insônia.
Qual é a questão?
O problema não é apenas induzir o sono; eles mudam a arquitetura do sono.
Podem gerar uma sensação de lentificação no dia seguinte que, para o cérebro idoso, muitas vezes é intolerável, com prejuízo de memória, atenção e alteração comportamental.
Opioides
A terceira classe de medicamentos são os opioides, que são analgésicos fortes, usados para dor.
Na introdução ou no aumento de dose, esses medicamentos podem gerar sonolência, apatia e confusão mental no cérebro idoso.
Atenção: nunca interrompa por conta própria
Caso você tenha um familiar idoso que esteja usando essas classes de medicações e que eventualmente tenha apresentado essas queixas, não interrompa por conta própria.
Procure orientação médica.
Esses medicamentos foram introduzidos por um motivo e a suspensão também precisa acontecer sob orientação e se houver um motivo.
O objetivo principal deste texto é mostrar que existem causas reversíveis e tratáveis para alterações de comportamento, memória e atenção no cérebro do idoso.
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