Bicarbonato com mel: faz bem ou pode fazer mal à saúde?

Em algum momento, você provavelmente já ouviu alguém dizer que misturar bicarbonato de sódio com mel “resolve o estômago”, “dá um reforço no corpo” ou “equilibra tudo por dentro”. Essa receita caseira aparece em conversas de família, vídeos nas redes sociais e mensagens de grupo, quase sempre acompanhada de relatos animados de quem jura que funcionou.

Mas quando algo se espalha assim, tão rápido e com tanta convicção, vale parar um instante e fazer uma pergunta simples: o que essa mistura realmente faz no corpo — e o que só parece fazer?

Aqui, a ideia é separar o que faz sentido do que precisa de cuidado, sem promessas mágicas e sem alarmismo.

O que é, afinal, cada ingrediente?

Antes de falar da mistura, vale olhar com mais atenção para o papel de cada um no organismo.

Bicarbonato de sódio: o alívio rápido que tem limite

O bicarbonato de sódio é um sal alcalino presente tanto na cozinha quanto em produtos farmacêuticos. No contexto da saúde, ele é conhecido principalmente por sua ação como antiácido. Quando entra em contato com o ácido do estômago, pode neutralizar parte dessa acidez, o que explica a sensação de alívio da queimação ou da azia em algumas pessoas.

O que ele não faz, apesar de ser um mito bastante comum, é “alcalinizar o corpo” como um todo. O pH do sangue e dos tecidos é rigidamente controlado por sistemas do próprio organismo, principalmente os rins e os pulmões. Misturas caseiras não têm o poder de mudar esse equilíbrio interno de forma ampla e duradoura.

Mel: mais do que um simples adoçante

O mel é produzido pelas abelhas a partir do néctar das flores e vai além do sabor doce. Ele contém compostos bioativos que despertam interesse científico, especialmente por sua atividade antimicrobiana e antioxidante.

Por isso, o mel aparece com frequência em chás, preparações caseiras para a garganta e receitas voltadas para aliviar desconfortos leves do trato digestivo.

O que acontece quando os dois se encontram?

A lógica por trás da mistura é relativamente simples. O bicarbonato ajudaria a reduzir a acidez do estômago, enquanto o mel tornaria o uso menos agressivo e mais agradável ao paladar.

Na prática, essa combinação pode aliviar a azia de forma pontual, especialmente quando o desconforto surge após uma refeição pesada ou alimentos mais ácidos. Para algumas pessoas, o efeito é real e perceptível.

O que muitas vezes não se comenta é que esse alívio costuma ser temporário. Se a queimação volta com frequência, pode haver algo por trás, como refluxo, gastrite, efeitos colaterais de medicamentos ou hábitos alimentares que precisam ser ajustados. Nesses casos, recorrer sempre à mistura pode apenas mascarar o problema.

Benefícios que fazem sentido e ideias que merecem cuidado

Digestão: ajuda ou só disfarça o desconforto?

O bicarbonato pode neutralizar o ácido do estômago por um curto período, o que explica por que a sensação de queimação diminui em alguns casos. O mel, por sua vez, pode ajudar a “suavizar” a mucosa digestiva.

Mas quando a azia ou a má digestão se tornam frequentes, isso costuma ser um sinal de que algo mais precisa ser investigado. A mistura, nesse cenário, tende a funcionar mais como um alívio momentâneo do que como uma solução de fato.

Imunidade: onde termina o mito e começa a evidência

É comum encontrar a afirmação de que bicarbonato com mel “fortalece o sistema imunológico”. Até o momento, não existem estudos clínicos robustos que comprovem esse efeito direto.

O mel tem propriedades que podem contribuir para a saúde geral, mas isso não equivale a aumentar a imunidade no sentido médico, como prevenir doenças ou substituir medidas de cuidado profissional.

Uso na pele: por que nem todo mundo reage da mesma forma

Algumas pessoas usam a mistura como máscara ou esfoliante caseiro. O mel pode ajudar na hidratação e tem leve ação antibacteriana.

Já o bicarbonato merece mais atenção. Por ser alcalino, ele pode alterar o pH natural da pele, o que pode causar ressecamento, irritação ou ardor, especialmente em quem tem pele sensível ou tendência à acne.

Quando o bicarbonato vira um problema

O bicarbonato contém sódio, e o uso excessivo pode sobrecarregar o organismo. Em algumas pessoas, isso pode levar a inchaço, náuseas, aumento da pressão arterial e desequilíbrios nos níveis de sódio e potássio no sangue.

Em situações mais raras e graves, o consumo frequente pode contribuir para uma condição chamada alcalose metabólica, que interfere no funcionamento dos músculos e do coração.

Interações com medicamentos: um ponto que merece atenção

Outro aspecto importante é a interação com remédios. O bicarbonato pode alterar a forma como alguns medicamentos são absorvidos ou eliminados pelo corpo.

Isso é especialmente relevante para quem usa, por exemplo, remédios para pressão arterial, diuréticos, lítio, certos antibióticos, antifúngicos ou suplementos minerais. Nesses casos, o uso regular da mistura sem orientação profissional não é uma boa ideia.

Quem deve evitar essa mistura

Para a maioria das pessoas saudáveis, o uso ocasional não costuma trazer grandes problemas. Ainda assim, é importante ter mais cautela se você tem hipertensão, problemas renais, doenças cardíacas, está grávida ou faz uso contínuo de medicação.

Mesmo algo que parece simples e “natural” pode não ser inofensivo em todos os contextos.

Se você já tomou e ficou em dúvida

Se o uso foi pontual e você se sentiu bem, geralmente não há motivo para preocupação. Por outro lado, vale procurar orientação se surgirem sinais como palpitações, fraqueza, inchaço persistente ou desconforto digestivo frequente.

Esses sintomas podem indicar que o organismo não está reagindo da melhor forma.

O que a ciência realmente diz hoje

Instituições de saúde reconhecem o bicarbonato como um antiácido de uso ocasional, não como uma solução contínua para problemas digestivos. Sobre o mel, a literatura científica destaca suas propriedades antimicrobianas e antioxidantes, mas não o classifica como tratamento para doenças nem como fortalecedor direto da imunidade.

Em outras palavras, a mistura pode ajudar em desconfortos leves e pontuais, mas não substitui avaliação médica nem cuidados de longo prazo.

Entre o alívio e o exagero

A resposta mais honesta para a pergunta “bicarbonato com mel faz bem ou faz mal?” é que tudo depende de como, com que frequência e por quem a mistura é usada.

Para algumas pessoas, ela pode aliviar uma azia ocasional. Para outras, especialmente quem tem condições de saúde ou usa medicação, os riscos podem superar os benefícios.

Quando o desconforto digestivo se repete, o melhor caminho não costuma ser buscar a próxima receita viral, mas sim entender a causa com ajuda profissional.

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Enf. Raquel Souza de Faria

Sou Raquel Souza de Faria, Enfermeira (COREN – MG 212.681) Especialista em Docência do Ensino Superior, Consultora de Enfermagem em Núcleo de Segurança do Paciente, Gestora de Serviços de Atenção Básica/Saúde da Família. Empresária e Empreendedora, amante da Fitoterapia e das Terapias Holísticas, oferecendo bem-estar e prevenção de doenças como Auriculoterapêuta e Esteticista.
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