7 ganhos reais que o pilates pode trazer na recuperação pós-AVC

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) está entre as principais causas de incapacidade física no mundo. Quando ocorre a interrupção do fluxo sanguíneo no cérebro, seja por obstrução ou rompimento de um vaso, diferentes áreas nervosas deixam de receber oxigênio. Isso pode resultar em perda de força, alterações na fala, dificuldades de equilíbrio, mudanças na postura, limitação de movimentos e impactos emocionais.

A recuperação é possível, mas o processo exige reabilitação contínua, estímulo motor adequado e acompanhamento especializado.

Entre as abordagens disponíveis, o método pilates tem ganhado espaço no contexto da fisioterapia neurológica por oferecer exercícios que unem respiração, controle corporal, consciência do movimento e fortalecimento — aspectos essenciais para quem enfrenta sequelas pós-AVC.

Pilates de forma descomplicada

Criado por Joseph Pilates na década de 1920, o método nasceu com a proposta de trabalhar corpo e mente de forma integrada.

Em vez de priorizar força bruta ou repetição acelerada, o pilates se baseia em seis princípios: concentração, controle, precisão, fluidez, centralização e respiração.

Em estúdio, os exercícios podem ser realizados no solo ou em aparelhos como reformer, cadillac, chair e barrel.

Para quem tem sequelas neurológicas, essa estrutura adaptável permite iniciar o movimento mesmo com baixa força ou coordenação.

No contexto do AVC, o princípio da concentração é especialmente relevante.

Quando o paciente foca no movimento, cria novas conexões neurais, melhora a percepção corporal e reduz compensações automáticas que surgem após a lesão.

A fluidez e o controle ajudam o corpo a sair do padrão rígido comum em quadros de espasticidade, enquanto a respiração bem orientada diminui a tensão muscular e facilita o comando motor.

AVC e suas consequências funcionais

As sequelas do AVC podem variar muito entre indivíduos. Alguns apresentam fraqueza leve; outros convivem com paralisia parcial.

Há casos em que a marcha se torna arrastada, instável ou impossível sem apoio. A fala pode ser afetada, assim como a memória e a organização cognitiva.

A perda de equilíbrio é outro ponto crítico, aumentando o risco de quedas e reduzindo a autonomia, muitas vezes comprometendo até tarefas simples, como virar na cama, sentar, levantar ou caminhar em linha reta.

Esses sintomas costumam gerar insegurança e medo do movimento, o que contribui para o desuso do membro afetado.

É nesse cenário que a fisioterapia com pilates se encaixa como ferramenta prática e realista de reabilitação.

Como o pilates auxilia na recuperação pós-AVC

O pilates aplicado à reabilitação neurológica tem três eixos centrais: estimular o movimento, reorganizar o padrão motor e recuperar a funcionalidade.

A prática supervisionada estimula o corpo a retomar habilidades perdidas, com progressão cuidadosa e respeito ao limite de cada fase de evolução.

Entre os benefícios mais observados estão:

  •  melhora do controle motor e da coordenação fina
  • ganho de força em membros afetados
  • aumento da amplitude de movimento
  • melhora do equilíbrio estático e dinâmico
  • redução da espasticidade e da rigidez
  •  organização postural mais estável
  •  retomada gradual das atividades de vida diária

A prática também potencializa a respiração, regula o tônus muscular e fortalece a musculatura profunda estabilizadora, essencial para sentar, ficar em pé e caminhar com mais segurança.

Conforme o corpo responde, os exercícios evoluem: primeiro com apoio e movimento assistido, depois com menor dependência e maior desafio funcional.

O aspecto emocional também merece atenção.

Quando o paciente percebe progresso, mesmo que pequeno, recupera motivação, autoconfiança e sensação de autonomia.

Isso reduz a passividade, tão comum após o AVC, e fortalece o engajamento no processo terapêutico.

Apesar de amplamente reconhecido no campo da reabilitação, o pilates ainda chega tardiamente para muitos pacientes. É comum que o encaminhamento aconteça apenas quando as limitações já estão instaladas ou quando a marcha se torna comprometida.

Porém, quanto mais cedo o corpo é estimulado, maiores são as chances de reorganização neural, reaprendizagem e preservação de funções essenciais no longo prazo.

Vale reforçar que o método não substitui o tratamento médico nem outras abordagens fisioterapêuticas, mas atua como complemento estruturado, integrando fortalecimento, estabilidade, controle respiratório e consciência corporal em um único programa.

Em pacientes com hemiparesia, por exemplo, o pilates contribui para reduzir assimetrias; em casos de desequilíbrio acentuado, os exercícios priorizam estratégias de base e segurança na marcha.

Cada plano terapêutico é individual.

O pilates não é apenas uma técnica de fortalecimento. Para quem vive com sequelas de AVC, ele representa uma forma de retomar o movimento com segurança, desenvolver novas conexões motoras e reconquistar autonomia.

Quando bem orientado, estimula funções físicas e cognitivas, diminui a rigidez, melhora a postura e favorece atividades simples do dia a dia, como vestir-se, caminhar ou levantar sozinho.

Mais do que recuperar músculos, o pilates recupera confiança.

Ele devolve ao corpo o direito de se mover e à pessoa o direito de participar do próprio cotidiano com menos dependência. Para muitos pacientes, isso significa não apenas reabilitação, mas reconstrução de vida.

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Sobre a Dra. Mariana Milazzotto

Fisioterapeuta com quase 20 anos de atuação, mestre em Ciências Médicas e referência nacional no tratamento clínico do lipedema e na reabilitação de mulheres no pós-operatório de câncer de mama. Criadora da Jornada Desvendando o Lipedema, programa que forma fisioterapeutas e terapeutas corporais em práticas de acolhimento, movimento e reabilitação funcional.

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Fisio Mariana Milazzotto
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