Chamam o psyllium de “Mounjaro de pobre”. Mas será que a comparação faz sentido?

Bastou o apelido “Mounjaro de pobre” viralizar nas redes sociais para o psyllium deixar de ser conhecido apenas como uma fibra para o intestino e passar a fazer parte das conversas sobre emagrecimento.

A comparação chama atenção, mas não é cientificamente correta.

Embora o psyllium possa aumentar a saciedade e trazer benefícios para o intestino, o colesterol e o controle da glicemia, ele não age como o Mounjaro nem substitui medicamentos usados no tratamento da obesidade ou do diabetes.

Então, por que tanta gente associa os dois? A resposta está em um efeito que ambos compartilham, mas por mecanismos completamente diferentes.

De onde surgiu a comparação com o Mounjaro?

O apelido nasceu porque tanto o psyllium quanto medicamentos como o Mounjaro podem ajudar a reduzir a fome por mais tempo. Mas é aí que as semelhanças praticamente terminam.

O Mounjaro (tirzepatida) atua em hormônios relacionados ao controle da glicose, do apetite e do metabolismo.

Já o psyllium é uma fibra alimentar que, ao entrar em contato com a água, forma um gel no sistema digestivo. Esse gel retarda a passagem dos alimentos e prolonga a sensação de estômago cheio.

Na prática, algumas pessoas acabam comendo menos porque permanecem saciadas por mais tempo. Mesmo assim, seus efeitos são bem mais modestos e não podem ser comparados aos de um medicamento indicado para tratar obesidade.

O que é o psyllium e para que serve?

O psyllium é uma fibra solúvel obtida das cascas das sementes da planta Plantago ovata.

Há décadas ele é utilizado para melhorar o funcionamento do intestino. Nos últimos anos, também passou a chamar atenção por seus efeitos sobre a saciedade, o colesterol e o controle da glicemia.

Quando misturado à água, aumenta de volume e forma um gel que percorre o trato digestivo.

Esse processo favorece o trânsito intestinal, reduz a velocidade de absorção dos carboidratos e ajuda a prolongar a sensação de saciedade após as refeições.

O que o psyllium realmente faz no organismo?

Ajuda a regular o intestino

Esse é o benefício mais conhecido.

Ao absorver água, a fibra deixa as fezes mais macias e volumosas, facilitando sua eliminação. Por isso, pode ser útil para pessoas com prisão de ventre, desde que haja boa ingestão de líquidos.

Pode ajudar no controle da fome

Como permanece mais tempo no estômago, o psyllium prolonga a sensação de saciedade.

Estudos que reuniram os resultados de diversas pesquisas mostram que esse efeito pode levar algumas pessoas a consumir menos calorias nas refeições seguintes.

Isso não significa que o suplemento provoque emagrecimento sozinho, mas pode facilitar o controle alimentar quando faz parte de um estilo de vida saudável.

Contribui para o controle da glicemia

Outra vantagem é retardar a absorção dos carboidratos, fazendo com que os níveis de glicose aumentem de forma mais gradual após as refeições.

Os benefícios são mais evidentes em pessoas com pré-diabetes e diabetes tipo 2, sempre como complemento (e nunca como substituto) do tratamento recomendado pelo médico.

Psyllium
Psyllium / Canva

Pode reduzir o colesterol LDL

Pesquisas também associam o consumo regular de psyllium a uma redução discreta do colesterol LDL, conhecido como “colesterol ruim”.

Esse efeito ocorre porque a fibra ajuda o organismo a eliminar parte dos ácidos biliares, levando o fígado a utilizar colesterol para produzir novos sais biliares.

Como usar o psyllium com segurança?

Embora seja considerado seguro para a maioria das pessoas, alguns cuidados são importantes.

  • Comece com pequenas quantidades, como cerca de 5 gramas por dia, aumentando aos poucos conforme a tolerância.
  • Tome sempre com bastante água. Sem hidratação adequada, a fibra pode provocar desconforto e até piorar a constipação.
  • Se o objetivo for aumentar a saciedade, consumir o psyllium cerca de 20 a 30 minutos antes das principais refeições pode ser uma estratégia útil.
  • O suplemento pode diminuir a absorção de alguns medicamentos quando ingerido ao mesmo tempo. Por isso, costuma-se orientar um intervalo de aproximadamente duas horas entre o psyllium e outros remédios.
  • Pessoas com obstrução intestinal, estreitamento do trato digestivo ou dificuldade para engolir só devem utilizar o produto com orientação profissional.

Psyllium funciona para emagrecer?

Depende da expectativa. Quem espera um efeito parecido com o do Mounjaro provavelmente vai se decepcionar.

O psyllium não acelera o metabolismo, não queima gordura nem provoca perdas expressivas de peso por conta própria.

Isso não significa que seja inútil para quem quer emagrecer.

Para pessoas que consomem pouca fibra no dia a dia, ele pode facilitar o controle do apetite e contribuir para uma alimentação mais equilibrada.

Quando associado a hábitos saudáveis, pode ajudar no controle do peso ao longo do tempo.

Vale a pena incluir o psyllium na rotina?

Se a ideia é aumentar o consumo de fibras, melhorar o funcionamento do intestino e dar uma ajuda no controle da fome, o psyllium pode ser uma boa escolha.

O apelido que ganhou nas redes sociais simplifica uma comparação que não se sustenta cientificamente. Apesar dos benefícios comprovados, ele está longe de produzir os mesmos efeitos do Mounjaro.

Seu principal papel é complementar uma alimentação equilibrada e outros hábitos saudáveis, e não oferecer uma solução rápida para emagrecer.

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Redação SaúdeLab

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