Quanto sódio o corpo realmente precisa por dia (e por que o problema não está no seu saleiro)

Você já tentou reduzir o sal da comida, mas ainda assim se perguntou se está consumindo sódio demais?

Essa sensação de confusão é mais comum do que parece. Entre rótulos, manchetes alarmantes e conselhos contraditórios nas redes sociais, muita gente acaba acreditando que o sódio é um vilão absoluto, algo que deveria ser cortado da alimentação a qualquer custo.

Mas a verdade é um pouco diferente.

Você pode estar tentando comer com menos sal e, ainda assim, consumir mais sódio do que imagina (sem nem perceber). A verdade é que o problema raramente está no saleiro.

Entender a quantidade de sódio por dia que o corpo realmente precisa não é sobre viver com medo da comida. É sobre ganhar clareza, fazer escolhas mais conscientes e cuidar da saúde sem abrir mão do prazer de comer.

O que é o sódio e por que ele é essencial

Antes de falar em limites e excessos, vale entender o básico: o sódio é um mineral essencial para a vida. Sem ele, o corpo simplesmente não funciona direito.

De forma simples, o sódio participa de processos fundamentais, como:

  • Equilíbrio de líquidos no organismo: ele ajuda a regular a quantidade de água dentro e fora das células.
  • Funcionamento dos músculos: inclusive o músculo mais importante de todos, o coração.
  • Transmissão dos impulsos nervosos: é graças ao sódio que o cérebro consegue “conversar” com o resto do corpo.
  • Regulação da pressão arterial: em conjunto com outros minerais, como o potássio.

Ou seja: o sódio não é um inimigo da saúde. Ele é um nutriente necessário.

O problema começa quando a quantidade que entra no corpo é muito maior do que a que ele precisa para funcionar bem. Nesse cenário, o excesso pode sobrecarregar os rins, favorecer a retenção de líquidos e contribuir para o aumento da pressão arterial ao longo do tempo.

A chave está no equilíbrio e não na eliminação total.

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Quantidade de sódio por dia: o que a ciência realmente recomenda

Quando se fala em quanto sódio posso consumir por dia, as recomendações costumam variar um pouco entre países e instituições, mas o consenso científico é bastante parecido.

De forma geral:

  • Recomendação média diária: cerca de 2.000 mg de sódio por dia (o equivalente a aproximadamente 5 gramas de sal de cozinha).
  • Limite máximo tolerável: em torno de 2.300 mg de sódio por dia para a maioria dos adultos.

Agora vem uma parte que costuma gerar confusão: sódio não é a mesma coisa que sal.

O sal de cozinha é o chamado cloreto de sódio. Isso significa que ele é formado por sódio + cloro. Na prática, cerca de 40% do peso do sal é sódio.

Traduzindo para a vida real:

  • 1 colher de chá rasa de sal tem, em média, cerca de 2.000 mg de sódio.

Mas quase ninguém consome todo o sódio apenas do sal que coloca na comida. A maior parte vem de fontes que muitas vezes passam despercebidas.

Por isso, mesmo quem acha que “quase não usa sal” pode estar ultrapassando a quantidade de sódio por dia recomendada sem perceber.

Onde está o verdadeiro excesso de sódio

Se você imaginou que o principal problema está na pitada de sal do almoço, aqui vai uma surpresa: o maior vilão do sódio costuma ser a indústria, não a sua cozinha.

Grande parte do consumo diário vem dos alimentos ultraprocessados, que usam o sódio não só para dar sabor, mas também para conservar e realçar a textura dos produtos.

Entre os campeões de sódio, estão:

  • Pães industrializados
  • Embutidos (presunto, salsicha, linguiça, salame)
  • Temperos prontos e caldos em cubo
  • Refeições congeladas
  • Molhos prontos (shoyu, ketchup, mostarda, molhos para salada)
  • Snacks e salgadinhos
  • Produtos “fit” e “light” industrializados

É possível usar sal todos os dias na comida caseira e ainda consumir menos sódio do que alguém que quase nunca cozinha.

Isso acontece porque, ao preparar a própria comida, você tem controle sobre a quantidade e o momento em que o sal é adicionado. Já nos produtos de pacote, o sódio vem “escondido” e em doses que se somam ao longo do dia.

O sal da sua cozinha raramente é o maior problema. O verdadeiro excesso costuma estar escondido nos alimentos que você menos percebe.

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Tipos de sal: o que muda de verdade e o que é mais marketing

Nos últimos anos, os tipos de sal ganharam status quase de produtos “funcionais”. Prateleiras exibem sal rosa, sal marinho, flor de sal e versões gourmet com promessas de benefícios extras, mais “pureza” ou até efeitos positivos para a saúde.

Mas, quando o assunto é sódio e impacto no organismo, a diferença entre eles é muito menor do que o marketing costuma sugerir.

Sal refinado

É o mais comum nas cozinhas brasileiras. Ele passa por um processo de purificação que remove impurezas naturais e padroniza os cristais, deixando o produto mais branco e fino.

No Brasil, o sal refinado geralmente recebe iodo adicionado por lei, uma medida de saúde pública importante para prevenir a deficiência de iodo — problema que pode causar alterações na tireoide, como o bócio e distúrbios hormonais.

Do ponto de vista nutricional, o sal refinado:

  • Tem composição estável e previsível
  • Garante o fornecimento de iodo para a população
  • Continua sendo, em sua maioria, cloreto de sódio

Ou seja, apesar da fama de “industrial”, ele cumpre um papel relevante na prevenção de problemas de saúde ligados à falta de iodo.

Sal marinho

É obtido a partir da evaporação da água do mar, geralmente em salinas. Por passar por menos etapas de refino, pode conter pequenas quantidades de minerais como magnésio, cálcio e potássio.

Na prática, essas quantidades são muito pequenas para gerar benefícios nutricionais reais no dia a dia. Para atingir uma dose significativa desses minerais, seria necessário consumir uma quantidade de sal que ultrapassaria, e muito, o limite saudável de sódio.

Do ponto de vista do organismo, o efeito do sal marinho sobre a pressão e o equilíbrio de líquidos é essencialmente o mesmo do sal refinado.

Sal rosa do Himalaia

Reconhecido pela cor rosada e pelo apelo “natural”, esse sal é extraído de minas e não do mar. Ele contém traços de diferentes minerais, que dão a coloração característica.

Apesar disso, os minerais presentes aparecem em quantidades tão baixas que não têm impacto prático na saúde. Ele não funciona como fonte relevante de ferro, magnésio ou outros nutrientes.

Além disso, nem sempre o sal rosa é iodado, o que significa que, se for usado como principal tipo de sal na alimentação, pode reduzir a ingestão de iodo ao longo do tempo.

Sais gourmet

Incluem versões como:

  • Flor de sal
  • Sal em flocos
  • Sal defumado
  • Sal aromatizado com ervas e especiarias

Esses tipos se destacam mais pela experiência sensorial — textura diferente, aroma, forma de dissolver na boca e realce de sabores.

Do ponto de vista do sódio, porém, o impacto no corpo continua sendo basicamente o mesmo. A diferença está no paladar, não na fisiologia.

Em resumo: o que realmente importa

Independentemente do tipo escolhido, todos os sais são majoritariamente cloreto de sódio.

A escolha pode ser guiada por:

  • Sabor
  • Textura
  • Preferência pessoal
  • Uso culinário específico

Mas a saúde, no fim das contas, é muito mais influenciada pela quantidade total consumida ao longo do dia do que pelo tipo de sal que está no saleiro.

Escolher um tipo de sal pode ser uma questão de sabor, textura ou preferência pessoal e não uma estratégia real para reduzir o consumo de sódio.

Leitura Recomendada: Estratégias naturais para reduzir a pressão alta: veja as que realmente funcionam

Como usar o sal comum de forma mais saudável no dia a dia

Aqui está a parte mais poderosa: você não precisa “cortar o sal”. Precisa usá-lo com mais consciência.

Veja algumas estratégias simples e eficazes:

  • Salgar no final do preparo: o sabor fica mais perceptível e você tende a usar menos.
  • Usar ervas e temperos naturais: alho, cebola, limão, pimenta, ervas frescas e secas realçam o sabor sem adicionar sódio.
  • Evitar temperos prontos: eles concentram grandes quantidades de sal e aditivos.
  • Provar antes de salgar: parece óbvio, mas muita gente adiciona sal automaticamente.
  • Cozinhar mais e reduzir produtos de pacote: quanto mais natural o alimento, mais controle você tem sobre o sódio.
  • Ler rótulos com calma: compare marcas e observe o teor de sódio por porção.

Essas pequenas mudanças, somadas ao longo da semana, fazem uma diferença real na quantidade de sódio por dia consumida.

Quem realmente precisa ter mais cuidado com o sódio

Para a maioria das pessoas saudáveis, manter o consumo dentro das recomendações já é um grande passo.

Mas alguns grupos precisam de atenção especial:

  • Pessoas com hipertensão
  • Quem tem doença renal
  • Idosos
  • Pessoas que usam certos medicamentos, como diuréticos e alguns anti-hipertensivos

Nesses casos, o acompanhamento de um profissional de saúde é fundamental. Cada organismo responde de forma diferente, e as orientações devem ser personalizadas.

Sódio e pressão alta: entendendo a relação sem medo

A ligação entre sódio e pressão alta é um dos temas mais conhecidos e também um dos mais simplificados.

O excesso de sódio pode contribuir para a retenção de líquidos, o que aumenta o volume de sangue circulando nos vasos e, em algumas pessoas, eleva a pressão arterial.

Mas vale lembrar: a pressão é influenciada por muitos fatores, como:

  • Genética
  • Nível de atividade física
  • Consumo de frutas e verduras
  • Estresse
  • Qualidade do sono

Reduzir o sódio é importante, mas faz parte de um conjunto de hábitos, não de uma solução isolada.

Alimentos ricos em sódio: o que observar no dia a dia

Alguns alimentos que parecem inofensivos podem concentrar bastante sódio. Fique atento a:

  • Queijos amarelos e processados
  • Sopas instantâneas
  • Enlatados
  • Conservas
  • Carnes temperadas prontas
  • Pães e biscoitos salgados

Uma boa prática é olhar o rótulo e observar a quantidade de sódio por porção e também quantas porções você realmente consome.

Por fim, cuidar da quantidade de sódio por dia não é sobre transformar a alimentação em uma lista de proibições.

É sobre entender de onde o sódio vem, fazer escolhas mais conscientes e recuperar o controle da própria comida.

Reduzir o sódio não é sobre comer sem prazer é sobre comer com mais consciência.

Leitura Recomendada: Descubra o alimento simples que pode ajudar a controlar a pressão alta

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Enf. Raquel Souza de Faria

Sou Raquel Souza de Faria, Enfermeira (COREN – MG 212.681) Especialista em Docência do Ensino Superior, Consultora de Enfermagem em Núcleo de Segurança do Paciente, Gestora de Serviços de Atenção Básica/Saúde da Família. Empresária e Empreendedora, amante da Fitoterapia e das Terapias Holísticas, oferecendo bem-estar e prevenção de doenças como Auriculoterapêuta e Esteticista.
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