“Um dos avanços mais promissores da oncologia”: novo remédio contra o câncer pode ir além

Imagine receber o diagnóstico de um câncer que já se espalhou para outros órgãos. É nesse cenário, em que o tratamento costuma ser mais difícil, que uma notícia chamou atenção nos Estados Unidos. Um novo medicamento contra o câncer de pâncreas praticamente dobrou a sobrevida mediana dos pacientes.

O daraxonrasib, vendido como Rasonque, foi aprovado há poucos dias pela Food and Drug Administration (FDA), órgão que regula medicamentos nos Estados Unidos, para determinados adultos com câncer de pâncreas metastático. Nesse estágio, o tumor já se espalhou para outros órgãos.

E há outro motivo para acompanhar essa história. O medicamento foi desenvolvido para atingir uma proteína que durante décadas esteve entre os alvos mais difíceis da oncologia. Essa mesma proteína também aparece em outros tipos de câncer.

O estudo envolveu 500 pacientes e foi realizado em fase 3, uma das etapas mais avançadas de avaliação de um novo medicamento. A sobrevida mediana foi de 13,2 meses com o daraxonrasib, contra 6,7 meses com a quimioterapia.

A pergunta que surge agora é: esse avanço pode funcionar também contra outros tipos de câncer?

O que o novo remédio contra o câncer conseguiu

Os resultados ajudam a explicar por que o daraxonrasib chamou tanta atenção:

  • Sobrevida: 13,2 meses com o daraxonrasib, contra 6,7 meses com a quimioterapia. Esse é o período em que metade dos pacientes viveu mais e metade viveu menos.
  • Risco de morte: 60% menor entre os pacientes que receberam o novo medicamento.
  • Doença sem avançar: entre os pacientes com alterações RAS G12, o tumor ficou sem sinais de crescimento ou espalhamento por 7,3 meses, contra 3,5 meses com a quimioterapia.
  • Redução do tumor: Mais de 31% dos pacientes tiveram redução mensurável do tumor, contra 11,2% no grupo da quimioterapia.
  • Efeitos adversos: 1,2% precisaram interromper o daraxonrasib por causa dos efeitos colaterais, contra 11,2% entre os que receberam quimioterapia.

Por que essa proteína é tão difícil de bloquear?

A RAS participa dos sinais que fazem as células crescer e se dividir. Quando sofre determinadas alterações, pode ficar permanentemente ativa e continuar enviando esses sinais.

Isso acontece em mais de 90% dos casos de adenocarcinoma de pâncreas. Durante décadas, os pesquisadores tiveram dificuldade para encontrar medicamentos capazes de atingir essa proteína.

Em uma explicação simples, é como se o mecanismo que manda a célula crescer ficasse preso na posição de ligado.

“Quando sofre mutação, ela trava ligada permanentemente, mandando a célula crescer sem parar”, explicou o oncologista Bruno Filardi, PhD, em publicação no Instagram.

O daraxonrasib foi desenvolvido para lidar com esse problema. Ele consegue se ligar à RAS em sua forma ativa e “travá-la”, atingindo diferentes alterações da proteína.

O efeito pode aparecer em outros cânceres?

O interesse pelo daraxonrasib não termina no câncer de pâncreas. A proteína RAS também está envolvida em outros tipos de tumor.

“Essa mesma mutação aparece em uma fatia relevante dos cânceres de pulmão e intestino também e por isso já há estudos testando o daraxonrasib nesses outros tumores”, afirmou o oncologista.

Ainda não se sabe se o medicamento terá o mesmo efeito nessas doenças. A aprovação da FDA, por enquanto, é específica para determinados pacientes com adenocarcinoma de pâncreas metastático.

Para Filardi, o resultado abre uma perspectiva importante: “Ainda é preciso confirmar mais dados, mas é, sem dúvida, um dos avanços mais promissores da oncologia recente.”

Leitura Recomendada: Novo tratamento para câncer de próstata avançado: oncologista explica quem pode se beneficiar

Compartilhe este conteúdo
SaúdeLAB logo
Redação SaúdeLab

SaúdeLAB é um site de notícias e conteúdo sobre saúde e bem-estar que conta com profissionais de saúde que revisam todos os conteúdos.

VIRE A CHAVE PARA EMAGRECER

INSCRIÇÕES GRATUITAS E VAGAS LIMITADAS