O que o preço da carne não conta sobre o meio ambiente e uma deliciosa receita de bolinho de lentilha

Na hora de comprar carne, o preço costuma pesar na decisão. Mas será que ele revela também o impacto ambiental do produto? Um estudo publicado na revista The Lancet Planetary Health, que analisou 2.980 produtos bovinos vendidos em cinco estados brasileiros, ajuda a responder essa pergunta.

Os pesquisadores descobriram que o preço da carne não revela se sua produção está mais ou menos associada ao desmatamento.

Isso significa que uma carne ligada a regiões com grande perda de florestas pode custar o mesmo que outra cuja produção está associada a áreas mais preservadas. Portanto, pagar mais caro não garante menor impacto ambiental.

Para entender essa relação, os pesquisadores identificaram os frigoríficos responsáveis pelo processamento dos produtos e analisaram o desmatamento nas regiões de onde eles recebem o gado.

Esse levantamento não permite afirmar que cada peça de carne veio de uma área desmatada, mas ajuda a identificar os impactos ambientais associados às regiões que fornecem animais aos frigoríficos.

Segundo o artigo, outros fatores tiveram maior influência sobre os preços, como o tipo de produto, o nível de inspeção sanitária e a distância entre o frigorífico e o supermercado.

Essa descoberta traz uma reflexão importante sobre nossa responsabilidade com a sociedade e o meio ambiente: precisamos saber de onde vêm os alimentos que chegam ao nosso prato.

O artigo destaca que a falta de informações sobre a origem da carne dificulta reconhecer e valorizar produtores que preservam as florestas.

Os autores também apontam falhas no acompanhamento das fazendas por onde o gado passa antes de chegar ao frigorífico. Sem esse controle, fica mais difícil identificar possíveis ligações entre a produção e o desmatamento.

Por isso, a mudança exige compromisso de todos. As empresas precisam acompanhar seus fornecedores e informar a origem dos produtos, enquanto o poder público deve fortalecer a fiscalização ambiental.

No dia a dia, podemos perguntar ao supermercado de onde vem a carne, buscar informações sobre os fornecedores e consultar iniciativas como o Pasto ao Prato, utilizada na pesquisa.

Também podemos planejar as compras para evitar desperdícios e incluir mais refeições com feijão, lentilha e grão-de-bico, conforme nossos hábitos e possibilidades.

Essas sugestões levam a reflexão do estudo para a rotina, embora não tenham sido avaliadas pelos pesquisadores.

Consumir com responsabilidade envolve escolhas pessoais, mas também cobrar transparência e compromisso de quem produz e vende nossos alimentos.

Para colocar essa ideia em prática, uma opção gostosa e simples é preparar um bolinho vegetal. Além de variar o cardápio, ele ajuda a incluir refeições à base de vegetais no dia a dia.

Bolinho assado de lentilha com cenoura e aveia

Rendimento: aproximadamente 15 bolinhos
Tempo de preparo: cerca de 45 minutos, com a lentilha já cozida

Ingredientes

  • 1½ xícara (chá) de lentilha cozida e bem escorrida
  • 1 cenoura pequena ralada fina
  • ½ cebola pequena picada
  • 2 dentes de alho picados
  • ½ xícara (chá) de aveia em flocos finos, acrescentando mais se necessário
  • 1 colher (sopa) de azeite
  • 2 colheres (sopa) de cheiro-verde picado
  • ½ colher (chá) de sal
  • Pimenta-do-reino e cominho a gosto, se desejar
  • Um pouco de azeite para untar

Modo de preparo

  1. Preaqueça o forno a 200 °C e unte uma assadeira.
  2. Amasse a lentilha com um garfo até formar uma pasta, deixando alguns grãos inteiros para dar textura.
  3. Acrescente a cenoura, a cebola, o alho, o azeite, o cheiro-verde e os temperos. Misture bem.
  4. Adicione a aveia aos poucos e deixe a massa descansar por 10 minutos. Ela deve ficar úmida, mas firme o suficiente para modelar. Se estiver muito mole, acrescente mais aveia, uma colher por vez.
  5. Com as mãos levemente untadas, modele bolinhos pequenos e achate-os um pouco para facilitar o cozimento.
  6. Distribua na assadeira e asse por aproximadamente 25 a 30 minutos, virando com cuidado na metade do tempo, até ficarem firmes e levemente dourados.

Para servir: acompanhe com arroz e uma salada de folhas ou legumes.

Dica para evitar desperdício: aproveite a lentilha cozida que sobrou de outra refeição, desde que tenha sido conservada adequadamente na geladeira. Escorra bem antes de usar: o excesso de água dificulta dar liga aos bolinhos.

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Dra. Valéria Paschoal

Nutricionista (CRN-3). CEO da VP Nutrição Funcional e diretora da Faculdade VP. Autora de obras da Coleção Nutrição Clínica Funcional (VP Editora). Coordenadora da Comissão Científica do Instituto Brasileiro de Nutrição Funcional (IBNF). Atua também na CSA Brasil (Community Supported Agriculture – Comunidade que Sustenta a Agricultura).

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