Dor no calcanhar ao caminhar: o que pode estar por trás

A dor intensa na sola do pé ao dar os primeiros passos pela manhã é uma queixa comum em consultórios e pode estar relacionada à fascite plantar, uma condição que afeta cerca de 10% da população ao longo da vida.

O problema é mais frequente em mulheres, especialmente em períodos de alterações hormonais, como a menopausa, e também em pessoas com sobrepeso.

A fascite plantar ocorre quando a fáscia plantar, um tecido resistente que percorre a sola do pé do calcanhar até os dedos, sofre sobrecarga repetida.

Essa estrutura funciona como um “amortecedor natural”, ajudando a sustentar o arco do pé e a absorver impacto durante a caminhada e a corrida.

Quando exigida além da sua capacidade, surgem microlesões, inflamação e, com o tempo, degeneração do tecido, o que explica a dor persistente.

Por que a fascite plantar dói tanto

A dor da fascite plantar costuma surgir de forma gradual e pode se espalhar pela sola do pé, principalmente na região próxima ao calcanhar.

O sintoma mais característico é a dor forte ao levantar da cama ou após longos períodos sentado, que tende a diminuir após alguns minutos de movimento, mas pode retornar ao longo do dia.

Isso acontece porque, durante o repouso, a fáscia plantar encurta. Ao apoiar o peso do corpo novamente, esse tecido é estirado de forma brusca, provocando dor.

Movimentos como puxar os dedos do pé para cima também costumam intensificar o desconforto.

Quando não tratada adequadamente, a fascite plantar pode interferir nas atividades diárias, alterar a forma de caminhar e gerar sobrecarga em joelhos, quadris e coluna.

Tratamento conservador funciona na maioria dos casos

O lado bom é que a maioria das pessoas melhora sem necessidade de cirurgia.

Estudos mostram que entre 73% e 89% dos pacientes apresentam alívio significativo dos sintomas com tratamento conservador, ou seja, sem procedimentos invasivos.

O tratamento costuma envolver uma combinação de estratégias, sempre individualizadas, com foco em reduzir a dor, melhorar a função do pé e evitar que o problema se torne crônico.

Entre as abordagens mais utilizadas estão:

  • Exercícios de alongamento, especialmente da fáscia plantar e da panturrilha
  • Fortalecimento muscular, para melhorar o suporte do arco do pé
  • Ajustes na rotina, como redução temporária de impacto e modificação de atividades
  • Uso de palmilhas, que ajudam a redistribuir a carga durante a caminhada
  • Recursos fisioterapêuticos, aplicados conforme a necessidade de cada paciente

O que dizem os estudos sobre as técnicas utilizadas

A literatura científica aponta diferentes técnicas que podem contribuir para a redução da dor da fascite plantar, principalmente quando usadas de forma combinada.

Pesquisas mostram bons resultados com:

  • Ondas de choque, que estimulam a regeneração do tecido e reduzem a dor ao longo das semanas
  • Técnicas de liberação miofascial, como a crochetagem, que ajudam a diminuir a rigidez do tecido
  • Agulhamento terapêutico, associado ou não a outras técnicas, com efeito analgésico
  • Bandagens funcionais, que auxiliam no suporte do pé durante as atividades
  • Exercícios terapêuticos, fundamentais para resultados duradouros
  • Palmilhas personalizadas, quando indicadas após avaliação

Em diferentes estudos analisados, a dor foi avaliada por escalas de intensidade relatadas pelos próprios pacientes, e a maioria apresentou melhora significativa após semanas de tratamento.

Por que associar técnicas costuma dar melhores resultados

Um ponto importante observado na literatura é que não existe uma única técnica milagrosa.

Os melhores resultados aparecem quando o tratamento combina exercícios, orientação, recursos terapêuticos e ajustes no dia a dia.

Isso acontece porque a fascite plantar não tem uma única causa.

Fatores como sobrepeso, tipo de pisada, encurtamento muscular, excesso de impacto, calçados inadequados e falta de recuperação adequada costumam atuar juntos.

Por isso, tratar apenas a dor, sem corrigir os fatores que sobrecarregam o pé, tende a gerar melhora temporária, seguida de recidiva.

Quando procurar ajuda profissional

A dor no calcanhar não deve ser ignorada quando:

  • persiste por semanas
  • piora ao longo do dia
  • começa a limitar atividades simples
  • leva a mudanças na forma de caminhar

Quanto mais cedo a avaliação é feita, maiores são as chances de recuperação sem complicações.

A fascite plantar é uma condição comum, mas que pode se tornar limitante quando não tratada corretamente.

A boa resposta ao tratamento conservador reforça a importância da avaliação individualizada e da associação de técnicas, sempre respeitando o tempo de recuperação do corpo.

Investir em orientação adequada, exercícios e cuidados preventivos permite não apenas aliviar a dor, mas também retomar atividades com segurança e qualidade de vida.

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Fisio Mariana Milazzotto

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