Corte químico: por que essa agressão ocorre nos cabelos e como evitá-la?

O médico e tricologista Dr. Luciano Barsanti, presidente da Sociedade Brasileira de Tricologia, alerta: é possível evitar o corte químico, que pode atingir o couro cabeludo e trazer danos não apenas à estética, mas à saúde. Veja dicas de como realizar procedimentos químicos com segurança

Passar a mão nos cabelos e sentir uma mecha inteira sair, ver muito cabelo caído no box do chuveiro ou na pia do salão de beleza ou ter boa parte do comprimento quebrado – tudo isso após um procedimento químico. Este é um problema que muitas mulheres já enfrentaram após utilizarem algum produto buscando mudar o visual. Esse é o conhecido “corte químico”, uma queda abrupta e em grande quantidade, que na verdade é uma quebra dos fios.

Hoje no SaúdeLAB, conversamos com o médico e tricologista Luciano Barsanti, presidente da Sociedade Brasileira de Tricologia (SBTri), explica os motivos disso acontecer e conta o que pode ser feito para evitar o problema.

Por que pode ocorrer o corte químico?

“Essa situação terrível ocorre quando há uma incompatibilidade química entre procedimentos, como os de tintura e os alistamentos. E isso se dá por conta das agressões constantes aos fios com descolorantes ou tinturas – realizados em intervalos curtos, menores que 30 dias – ou alisamentos capilares intercalados por substâncias alisantes ou relaxantes incompatíveis, tais como o hidróxido de sódio, quando aplicado em cabelos previamente tratados com a guanidina ou o tioglicolato de amônia”, esclarece o médico.

Para que isso não aconteça, o especialista ressalta que é fundamental o profissional de beleza sempre realize o “teste da mecha”.

O procedimento consiste na aplicação da substância ativa que vai ser utilizada nos fios, mas em uma pequena quantidade de cabelo, nas extremidades de seu comprimento, deixando o tempo necessário para ação. “Se o cabelo ficar elástico, o procedimento de tintura ou alisamento não pode ser realizado”.

Dr. Luciano Barsati especialista em corte químico
Dr. Luciano Barsati. Foto: Divulgação

 Tratamento

Um exemplo de reação química adversa, provocando o corte químico, é utilizar o hidróxido de guanidina em cabelos previamente tingidos. No Instituto do Cabelo, clínica especializada em recuperação capilar, são atendidos – entre mulheres, homens e até crianças – cerca de três a quatro casos de corte químico por semana, inclusive com lesões no couro cabeludo.

“Se não houver queimaduras químicas no couro cabeludo, a renovação dos fios é total. O tratamento se fundamenta em interromper a quebra dos cabelos, na medida do possível, e acelerar o crescimento de novos fios saudáveis, com a utilização tópica de laser, eletroterapia com microcorrentes e aplicação tópica de ativos naturais por ionização, sem injeções ou microagulhamento. Com esses procedimentos, o cabelo chega a crescer duas vezes mais rápido, atingindo esteticamente uma aparência saudável em torno de três a quatro meses”, garante Barsanti.

Havendo queimadura ou algum dano no couro cabeludo, será preciso tratá-lo previamente, avaliando-se o estado do paciente, caso a caso, para entender como o organismo reagirá posteriormente.

 Dicas para realizar procedimentos químicos com segurança

O médico e tricologista dá dicas importantes para evitar problemas graves no cabelo ou couro cabeludo, ao realizar um procedimento químico:

– Proteger a pele em volta do couro cabeludo com vaselina sólida;

– Hidratar os fios antes e depois do alisamento ou tintura;

– Interromper o procedimento se ocorrer a exalação de cheiro forte de enxofre;

– Nunca ultrapassar o tempo de exposição aos ativos indicados pelo fabricante;

– Jamais utilize produtos ‘piratas’ ou acrescidos de formol em concentrações maiores que 0,2%;

– Faça, no máximo, quatro alisamentos por ano, sempre com o mesmo produto e aplicado pelo mesmo profissional;

– Se for mudar de cabeleireiro, anote os produtos previamente utilizados nos procedimentos químicos;

– É importante diferenciar entre a quebra (corte químico) e a queda do cabelo (eventual doença);

– Se ocorrer um possível corte químico, não se automedique, mantenha a calma, enxágue bem os fios que restaram e o couro cabeludo e procure imediatamente um médico e tricologista (especializado em recuperação capilar).

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*Colaboração: Dr. Luciano Barsati e a Dra. Marcia Cecilio

Dr. Luciano é médico e Tricologista, Presidente da Sociedade Brasileira de Tricologia “SBTri”, membro titular do American Hair Loss Council – USA e da Sociedade Italiana de Tricologia, além de membro da Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia.

Dra. Marcia Cecilio é Médica e Tricologista, membro titular do American Hair Loss Council – USA, membro da Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia, e membro da Sociedade Brasileira de Tricologia – SBTri.

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