Por que algumas mulheres parecem carregar o trauma por mais tempo?

Um acidente, uma agressão, um assalto ou qualquer situação extremamente assustadora podem deixar marcas muito diferentes em cada pessoa. Algumas conseguem seguir em frente com o passar do tempo. Outras continuam revivendo o medo por meses ou até anos.

Os cientistas tentam entender essa diferença há décadas, especialmente diante de um dado que chama atenção.

As mulheres têm cerca de duas vezes mais chances de desenvolver transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) do que os homens.

Agora, uma nova pesquisa sugere que parte dessa explicação pode estar na forma como o cérebro registra memórias ligadas ao medo.

Os pesquisadores identificaram um mecanismo biológico que parece atuar de maneira diferente durante a formação dessas lembranças.

A descoberta ajuda a ampliar o entendimento sobre como experiências traumáticas podem deixar marcas duradouras e pode abrir novas linhas de investigação sobre trauma, memória e saúde mental.

O que é o transtorno de estresse pós-traumático (TEPT)?

O transtorno de estresse pós-traumático pode surgir após experiências extremamente difíceis ou ameaçadoras, como violência, acidentes graves, desastres naturais ou outras situações traumáticas.

Nem toda pessoa que passa por esses eventos desenvolve a condição. Quando ela aparece, porém, alguns sintomas são comuns:

  • lembranças frequentes e involuntárias do evento;
  • pesadelos;
  • sensação constante de perigo;
  • ansiedade intensa;
  • irritabilidade;
  • dificuldade para dormir;
  • tentativa de evitar tudo o que lembre o trauma.

Especialistas sabem que fatores emocionais, sociais e ambientais influenciam esse processo. Mas o funcionamento do cérebro também pode ter um papel importante.

TEPT em mulheres: o que os pesquisadores descobriram?

Em experimentos com animais, os cientistas observaram que fêmeas e machos pareciam usar processos diferentes no cérebro para guardar lembranças associadas ao medo.

Segundo os autores, isso sugere que homens e mulheres podem formar memórias de experiências assustadoras ou traumáticas de maneiras diferentes, mesmo quando passam por situações semelhantes.

Essa diferença pode ajudar a entender melhor por que o transtorno de estresse pós-traumático é mais frequente entre as mulheres.

Isso significa que mulheres são mais frágeis emocionalmente?

Não. Os resultados não indicam que mulheres sejam mais sensíveis, menos resistentes ou mais vulneráveis emocionalmente.

O estudo sugere apenas que podem existir diferenças biológicas na forma como determinadas memórias relacionadas ao medo são armazenadas.

Além disso, o desenvolvimento do transtorno de estresse pós-traumático é muito mais complexo do que um único mecanismo cerebral.

Fatores como intensidade do trauma, histórico de saúde mental, experiências anteriores, apoio emocional, genética e hormônios também influenciam o risco de desenvolver a condição.

O que essa descoberta pode mudar?

Por enquanto, a descoberta não altera o tratamento do transtorno de estresse pós-traumático. Mas ela pode ajudar os cientistas a entender melhor por que homens e mulheres respondem de formas diferentes a experiências traumáticas.

Os pesquisadores acreditam que esse conhecimento poderá contribuir para o desenvolvimento de abordagens mais personalizadas no futuro.

É importante lembrar que os resultados foram observados em animais e ainda precisam ser confirmados em humanos.

O estudo foi publicado na revista científica Behavioural Brain Research.

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Michele Azevedo

Formada em Letras - Português/ Inglês, pós-graduada em Arte na Educação e Psicopedagogia Escolar, idealizadora do site Escritora de Sucesso, empresária, redatora e revisora dos conteúdos do SaúdeLab.

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