Tutano de boi faz mal para o coração? O que ninguém te explica sobre esse alimento

O tutano de boi costuma aparecer em dois cenários bem diferentes. Para algumas pessoas, ele é uma lembrança de comida caseira, caldo forte, receita de família. Para outras, virou “superalimento da moda”, associado a força, energia e até benefícios para a saúde.

No meio desse caminho, surge a dúvida que faz muita gente pesquisar: tutano de boi faz mal para o coração?

A resposta não é um simples “sim” ou “não”. Como acontece com muitos alimentos de origem animal, o efeito do tutano depende menos do rótulo de “bom” ou “ruim” — e mais de quanto, como e em que contexto ele entra na sua alimentação.

Vamos conversar sobre isso com calma.

O que exatamente é o tutano de boi?

O tutano é a parte macia que fica dentro dos ossos, especialmente os ossos longos, como o do fêmur. Ele é basicamente uma mistura de:

  • Gorduras naturais
  • Pequena quantidade de proteínas
  • Vitaminas lipossolúveis (como A e K)
  • Minerais em menor proporção

Na cozinha, ele costuma ser usado em caldos, sopas, pratos rústicos ou servido assado com pão e acompanhamentos.

Ou seja: é um alimento concentrado em gordura, e isso já ajuda a entender por que o coração entra na conversa.

Por que o tutano levanta preocupação com a saúde do coração?

Quando se fala em coração, dois pontos costumam aparecer: gordura saturada e colesterol.

O tutano de boi é naturalmente rico em gordura, e uma parte significativa dela é do tipo saturada. Esse tipo de gordura, quando consumido em excesso e de forma frequente, costuma estar associado ao aumento do colesterol LDL (o famoso “colesterol ruim”) em algumas pessoas.

Isso não significa que uma colher de tutano vá “entupir artérias”. Mas significa que, se ele vira um hábito constante em uma alimentação já rica em carnes gordas, frituras e ultraprocessados, o conjunto pode pesar para o sistema cardiovascular ao longo do tempo.

É o padrão que importa mais do que o alimento isolado.

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Então, tutano de boi faz mal para o coração?

Sim, pode fazer, se for consumido em excesso ou dentro de uma dieta desequilibrada.

Por outro lado, em pequenas quantidades e dentro de uma alimentação variada, o tutano não costuma ser um problema por si só para pessoas saudáveis.

Muita gente erra ao tentar classificar alimentos como “vilões” ou “heróis”. O coração não responde a um único prato, mas ao que você come na maior parte dos dias.

Se o tutano aparece ocasionalmente, como parte de uma refeição caseira, acompanhado de legumes, verduras, grãos e outros alimentos mais leves, o impacto tende a ser bem diferente do que se ele vira uma fonte frequente de gordura no cardápio.

O papel da quantidade: onde muita gente se perde

Um dos maiores problemas com o tutano é que ele é muito fácil de exagerar sem perceber.

Por ser macio, saboroso e geralmente servido com pão, torradas ou dentro de caldos, a porção vai crescendo. Quando você vê, já consumiu uma quantidade de gordura que equivale a um prato inteiro de comida mais pesada.

Na prática, o tutano funciona melhor como:

  • Um complemento, não o centro da refeição
  • Um ingrediente para dar sabor ao caldo, não a base do prato
  • Algo ocasional, não diário

Essa mudança de papel já faz uma grande diferença para o coração.

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E para quem já tem colesterol alto ou problema cardíaco?

Aqui vale uma atenção especial.

Pessoas que já convivem com colesterol elevado, histórico de doença cardiovascular, pressão alta ou outras condições relacionadas ao coração costumam se beneficiar de uma alimentação mais cuidadosa com fontes de gordura saturada.

Nesses casos, o tutano não precisa ser “proibido”, mas merece ainda mais moderação e, se possível, orientação de um profissional de saúde que conheça o histórico da pessoa.

Às vezes, o que parece um detalhe (como um caldo com tutano toda semana) pode somar bastante ao longo dos meses.

Existe algum benefício em consumir tutano?

Sim, e é por isso que ele nunca saiu completamente da cozinha tradicional.

O tutano fornece energia, contribui com vitaminas lipossolúveis e deixa preparações mais nutritivas do ponto de vista calórico. Em contextos específicos (como pessoas com baixo peso, apetite reduzido ou necessidade de refeições mais densas em energia) ele pode ter seu espaço.

Além disso, ele costuma melhorar o sabor de caldos e sopas, o que pode ajudar quem tem dificuldade de comer alimentos mais simples, como legumes e verduras.

De novo: o valor está no equilíbrio e no contexto.

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O jeito mais amigável para o coração de consumir tutano

Se você gosta de tutano e não quer abrir mão dele, algumas escolhas práticas podem ajudar:

  • Use pequenas quantidades para dar sabor a caldos, em vez de consumi-lo puro
  • Combine com muitos vegetais, legumes e grãos na mesma refeição
  • Evite acompanhar sempre com pão branco, manteiga e outros alimentos ricos em gordura ao mesmo tempo
  • Não faça do tutano uma presença diária no cardápio

Esses ajustes simples mudam bastante o impacto final da refeição.

O que pesa mais que o tutano em si

Um ponto que quase ninguém comenta: muitas vezes, o problema não é o tutano, mas o que vem junto com ele no dia a dia.

Se a alimentação é rica em embutidos, fast food, carnes gordas, refrigerantes e produtos ultraprocessados, o coração já está sob pressão. Nesse cenário, qualquer gordura extra tende a agravar o quadro.

Por outro lado, em uma rotina alimentar com frutas, legumes, feijão, arroz, peixes, azeite e preparações caseiras, uma porção ocasional de tutano dificilmente será o fator decisivo para a saúde cardiovascular.

Vale a pena cortar totalmente?

Para a maioria das pessoas, não precisa ser tudo ou nada.

Cortar um alimento que você gosta costuma tornar a alimentação mais difícil de manter a longo prazo. Em vez disso, transformar o tutano em algo eventual e consciente costuma ser uma estratégia mais realista e sustentável.

Se existe uma regra simples aqui, ela é esta: o coração gosta mais de constância do que de radicalismo.

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Quando faz sentido procurar orientação

Se você tem dúvidas porque já recebeu alerta médico sobre colesterol, pressão ou saúde do coração, vale conversar com um nutricionista ou médico. Eles podem ajudar a ajustar quantidades e encaixar alimentos tradicionais (como o tutano) dentro de um plano que respeite sua realidade e seus exames.

Isso costuma ser mais eficaz do que seguir listas genéricas de “pode” e “não pode”.

Em resumo, sem medo e sem exagero

O tutano de boi não é automaticamente um inimigo do coração. Mas também não é um alimento para consumir sem pensar.

Ele pode fazer parte da alimentação, desde que apareça como coadjuvante, em pequenas quantidades e dentro de um padrão alimentar mais equilibrado. No fim das contas, o que protege o coração não é a exclusão de um único ingrediente — é o cuidado com o conjunto do prato, dia após dia.

Se você gosta de tutano, dá para manter esse sabor na sua vida. Só não precisa deixar que ele ocupe o prato inteiro.

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Enf. Raquel Souza de Faria

Sou Raquel Souza de Faria, Enfermeira (COREN – MG 212.681) Especialista em Docência do Ensino Superior, Consultora de Enfermagem em Núcleo de Segurança do Paciente, Gestora de Serviços de Atenção Básica/Saúde da Família. Empresária e Empreendedora, amante da Fitoterapia e das Terapias Holísticas, oferecendo bem-estar e prevenção de doenças como Auriculoterapêuta e Esteticista.
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