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Controlar a glicose e perder peso ao mesmo tempo? Novo remédio para diabetes surpreende
Estudo publicado na Lancet mostrou melhora importante do controle glicêmico e perda média de até 15,3% do peso em pessoas com diabetes tipo 2
Uma nova medicação para diabetes tipo 2 está despertando interesse entre pesquisadores após apresentar resultados expressivos no controle da glicose e na perda de peso.
Em um estudo publicado na Lancet, participantes perderam, em média, até 15,3% do peso corporal e tiveram melhora importante dos níveis de açúcar no sangue.
Mas houve um detalhe que chamou atenção. Mesmo após meses de tratamento, o emagrecimento ainda não parecia ter chegado ao limite.
O medicamento analisado foi a retatrutida, uma injeção semanal que ainda está em desenvolvimento.
Quem participou do estudo?
O estudo acompanhou 537 adultos com diabetes tipo 2 que não conseguiam controlar adequadamente a doença apenas com alimentação e atividade física.
A maioria nunca havia utilizado medicamentos para diabetes antes de entrar na pesquisa.
Durante 40 semanas, os participantes receberam diferentes doses da retatrutida ou placebo.
O que os pesquisadores observaram
Após 40 semanas, quem recebeu retatrutida apresentou melhora importante do controle do diabetes.
A hemoglobina glicada (HbA1c), principal exame usado para acompanhar a doença, caiu até 1,94 ponto percentual.
Também houve melhora da pressão arterial, do colesterol e dos níveis de gordura no sangue.
Além disso, os participantes perderam peso de forma significativa ao longo do tratamento.
Quanto peso os participantes perderam
A perda de peso foi um dos principais destaques do estudo.
Após 40 semanas, os participantes que receberam retatrutida perderam, em média:
- 11,5% do peso corporal na menor dose;
- 13,9% na dose intermediária;
- 15,3% na dose mais alta.
No grupo placebo, a perda média foi de 2,6%.
Na prática, quem recebeu a dose mais alta perdeu cerca de 15 quilos, em média.
Os pesquisadores também observaram melhora importante no controle do diabetes.
Entre os participantes tratados com retatrutida:
- 82% a 89% atingiram a meta glicêmica recomendada para o tratamento;
- 35% a 40% chegaram a níveis de hemoglobina glicada abaixo de 5,7%.
Apesar disso, os autores fazem uma ressalva importante: esses resultados não significam cura nem reversão do diabetes.
O detalhe que chamou atenção dos pesquisadores
Mais do que a perda de peso em si, outro resultado se destacou.
Após 40 semanas, os participantes ainda continuavam emagrecendo.
Para os autores, isso indica que o efeito da medicação sobre o peso ainda estava em evolução quando o estudo terminou.
Estudos mais longos deverão mostrar até onde essa trajetória pode chegar.
O que ainda não dá para afirmar
Apesar dos resultados positivos, o estudo não permite concluir que a retatrutida cure, reverta ou provoque remissão do diabetes.
Também não é possível dizer se ela é superior a medicamentos já disponíveis, como Ozempic ou Mounjaro, porque não houve comparação direta entre esses tratamentos.
Os pesquisadores destacam ainda que a maioria dos participantes não utilizava medicamentos para diabetes antes do estudo. Por isso, os resultados precisam ser confirmados em pesquisas mais longas e em perfis diferentes de pacientes.
E agora?
Uma das principais perguntas deixadas pelo estudo publicado na Lancet continua sem resposta.
Quando o acompanhamento terminou, os participantes ainda continuavam emagrecendo, o que sugere que os efeitos da medicação sobre o peso não haviam se estabilizado.
Os próximos estudos deverão mostrar até onde essa trajetória pode chegar e por quanto tempo ela pode ser mantida.
Os efeitos colaterais mais comuns foram náusea, diarreia e vômitos, geralmente leves ou moderados. Nenhum episódio de hipoglicemia grave foi registrado durante a pesquisa.
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