Tudo Sobre Sintomas da Zika, Dengue e Chikungunya

Quais os sintomas da Zika, Dengue e Chikungunya?

mosquito sintomas da zika

Muitas pessoas se preocupam em identificar logo os sintomas da Zika. No entanto, o Zika vírus, ou o ZIKV, é um vírus da família dos arbovírus, transmitido principalmente pela picada do mosquito fêmea do tipo Aedes aegypti.

O seu nome é proveniente da floresta Zika, localizada em Uganda, na África. Local onde primeiramente foi identificado o vírus em macacos do tipo “rhesus” em 1947, utilizados como sentinelas para o monitoramento da febre amarela.

Dengue é o nome de uma das doenças virais mais conhecidas e endêmicas do território brasileiro. Também transmitida principalmente pelo mosquito Aedes aegypti.

A doença foi primeiramente identificada no país em 1986. E desde então, estima-se que atualmente seja responsável por cerca de 50 milhões casos de infecções no mundo.

Similar a Dengue e a Zika, a febre Chikungunya trata-se de uma doença viral em que a principal forma de contágio é pela picada do mosquito Aedes aegypti. Porém, diferente das doenças citadas anteriormente, no Brasil, ainda temos a presença do mosquito fêmea do tipo Aedes albopictus, que auxilia na disseminação da doença.

Identificada pela primeira vez na Tanzânia, no leste da África, entre 1952 e 1953, a palavra Chikungunya quer dizer, em swahili, um dos idiomas locais, “aqueles que se dobram”. Fazendo referência ao modo curvado em que os pacientes ficavam durante a primeira epidemia registrada da doença.

No Brasil, a doença somente foi registrada em 2014, porém, já se trata de uma das doenças mais vigiadas, tanto pela mídia, como pelo Ministério da Saúde.

Aproveite para saber agora qual melhor termometro para medir febre no nosso artigo.

Transmissão da Zika, Dengue e Chikungunya

sintomas da Dengue

Como grande parte das doenças endêmicas do Brasil, o meio de transmissão mais disseminada da doença do Zika, da Dengue e da Febre Chikungunya, ocorre por meio da picada de um mosquito fêmea, no caso, do tipo Aedes aegypti. Em relação ao Zika, estuda-se a possibilidade da transmissão também por via sexual. Apesar de rara, é considerada possível.

Da mesma forma, mesmo que muito menos frequente, no caso da Dengue, há também registros de transmissão vertical, ou seja, da mãe gestante para o bebê, e por meio de transfusões sanguíneas.

Sintomas da Zika, Dengue e Chikungunya

Abaixo separamos os principais sintomas da Zika, da Dengue e da Febre Chikungunya. Confira como identifica-los:

Dengue

O curso dos sintomas da Dengue em nosso organismo varia muito de pessoa para pessoa. Podendo ocorrer de forma totalmente assintomática, de forma leve, moderada ou até mesmo atingir o ápice de doença grave ocasionando a morte.

A febre, sem dúvidas, trata-se da sintomatologia mais comum da infecção. Iniciando de forma abrupta e alta, cerca de 39ºC a 40ºC, que geralmente se mantém por dois a sete dias. Dor de cabeça forte, dores no corpo e nas articulações, fraqueza, prostração, dores atrás dos olhos e erupção de pele podem ainda estar associados em grande parte dos casos.

Já a perda de peso, náusea e vômitos, embora comuns, não são muito específicos.

Quando falamos da forma grave da doença, podem ocorrer ainda dor abdominal intensa, sangramento de mucosas e vômitos intensos e repetitivos. Esses sintomas indicam a necessidade inquestionável de buscar um centro de saúde de referência, como uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA).

Chikungunya

A principal sintomatologia é a febre alta, acima dos 39ºC, que inicia rapidamente. Além disso, dores articulares fortes, que acometem principalmente os dedos das mãos, dos pés, pulsos e tornozelos também são indicativos.

Um pouco menos comum, mas que podem ocorrer, são as dores de cabeça intensas, dores musculares ou o aparecimento de manchas vermelhas na pele. Algo muito importante de se saber é que não se pode ter Chikungunya mais de uma vez. Após a primeira infecção, a pessoa desenvolve imunidade contra o vírus para o resto da vida.

Zika

A grande maioria as pessoas infectadas pela doença, cerca de 80%, não desenvolve manifestações ou sintomas da Zika. Porém, nas pessoas em que há manifestações, a febre baixa, dor de cabeça, vermelhidão e coceira nos olhos são os sintomas da Zika mais comuns.

Outros sintomas, um pouco menos corriqueiros, podem ser: manchas vermelhas na pele, inchaço no corpo, dor de garganta e tosse associada com vômitos. Em geral, a doença segue um curso benigno, com o desaparecimento dos seus sinais entre três e sete dias. No entanto, sintomas mais específicos como as dores articulares podem perdurar ainda por alguns meses.

Já há confirmação que o aumento de casos de microcefalia é causado pelo Zika vírus?

Aedes aegypti

Sim, infelizmente há sim. Em 2015, o Instituto Evandro Chagas, órgão do Ministério da Saúde em Belém do Pará, confirmou a relação existente entre a contaminação materna pela Zika e o aumento considerável nos casos de nascidos com microcefalia.

Essa confirmação foi feita por acompanhamento de exames de sangue realizados em bebês nascidos no Ceará com microcefalias e outras malformações similares. As amostras identificaram a presença do vírus da Zika, situação essa, até o momento, inédita na pesquisa científica mundial.

Por causa disso que, posteriormente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, também apresentaram confirmações semelhantes.

Entretanto, as pesquisas sobre o assunto continuam avançando, buscando cada vez mais esclarecer perguntas tais como: “qual o mecanismo de lesão causado pelo vírus?”, “qual o período mais vulnerável para a gestante?” e “como evitar o contágio e propagação da infecção?”.

Primeiramente, acredita-se que a contaminação durante os três meses iniciais de gestação possa ser relacionada a maiores chances de malformações genéticas no feto, tais como a microcefalia.

O que é microcefalia?

tratamento para microcefalia

Um dos sintomas da Zika mais conhecidos e amplamente difundido, a microcefalia é o termo dado a uma malformação congênita, em que não há um correto desenvolvimento da massa cefálica do bebê, no período intrauterino.

Essa alteração anatômica pode ser causada por diversos fatores conhecidos, não só a Zika, e outros tantos ainda em estudo. Dentre os comprovados cientificamente, temos a exposição da gestante às substâncias químicas, à radiação ou aos agentes biológicos, tais como infecções virais e infecções bacterianas.

Como pode ser feito um diagnóstico?

Logo após o nascimento, todos os bebês passam por uma avaliação clínica minuciosa para verificar alguma alteração de anatomia ou malformação existente. Dentre os testes realizados, a OMS recomenda que o perímetro cefálico seja medido entre 24h após o parto e o 6º de vida da criança.

O comprimento do perímetro cefálico deve ser avaliado em relação ao sexo da criança e sua idade gestacional. Os casos suspeitos deverão ser encaminhados imediatamente para um pediatra, para que se possa confirmar as medidas e solicitar exames de imagem neurológicos, se necessário. Faz-se isso porque não se pode avaliar pelos sintomas da Zika.

Nos exemplos de padronização realizados pela OMS, podemos ter como referência de microcefalia os seguintes pontos de corte:

  • Microcefalia clínica: recém-nascidos com um ou mais desvios-padrão abaixo da média para idade gestacional e sexo, ou seja, perímetro cefálico inferior a dois desvios-padrão;
  • Microcefalia grave: recém-nascidos com mais de três desvios-padrão abaixo da média para idade gestacional e sexo, ou seja, com um perímetro cefálico inferior a três desvios-padrão.

Após o diagnóstico, os bebês devem continuar sendo avaliados mensalmente, tendo seus perímetros cefálicos medidos em todas as consultas, a fim de correlacionar a evolução do tamanho com seus desenvolvimentos neurológico.

Qual o melhor tratamento para a microcefalia?

Infelizmente, ainda não há um tratamento específico ou “cura” para a microcefalia. Porém, o próprio Sistema Único de Saúde (SUS) organiza e aconselha o uso de vários protocolos de suporte, que auxiliam no desenvolvimento motor, cognitivo e neurológico geral para o correto crescimento das crianças afetadas.

Existem muitas publicações sobre o assunto, mas destaca-se o “Protocolo de Atenção à Saúde e Resposta à Ocorrência de Microcefalia Relacionada à Infecção pelo Vírus Zika” do Ministério da Saúde. Esse texto organiza uma rede de atendimento ampla, que envolve gestores, profissionais da saúde e população em geral, para orientar o desenvolvimento das crianças, desde as consultas de pré-natal, realizadas pela gestante, até a sua evolução após nascimento.

Esse Protocolo prevê ainda uma mobilização especializada para identificação e a conduta com todas as crianças com malformações congênitas. A estimulação precoce para crianças com microcefalia é um dos pontos mais importantes.

Portanto a criança deve ser inserida no Programa de Estimulação Precoce desde o seu nascimento e permanecer, pelo menos, até os três anos, período em que a neuroplasticidade neuronal é maior, e assim, desenvolve-se mais rápido o aprendizado motor e cognitivo.

A estimulação precoce visa maximizar o potencial individual de cada criança, influenciando positivamente no crescimento físico e maturação neurológica, comportamental, afetiva e social, as quais podem ser prejudicadas pela presença da microcefalia.

Tais condutas são ofertadas em centros de reabilitação distribuídos em todo o país, nos Centros Especializados de Reabilitação (CER), Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF) e Ambulatórios de Seguimento de Recém-Nascidos. 

A microcefalia pode matar ou deixar sequelas?

Sim, infelizmente cerca de 90% das microcefalias confirmadas têm relação direta com atraso no desenvolvimento mental e com reduções muito significativas do perímetro cefálico familiar, em que toda a família tem a característica de redução do perímetro cefálico. Nesses casos, o desenvolvimento neurológico e motor podem ainda ser preservados.

Cada tipo de microcefalia pode se manifestar de diferentes formas, porém o tratamento realizado nos primeiros anos da criança pode ser primordial para uma futura qualidade de vida. Com isso é possível evitar o óbito e até mesmo permitir uma redução das possíveis sequelas.

Há tratamento para a doença e os sintomas da Zika?

tratamento da Zika

Ainda não temos uma vacina ou alguma forma de curar esse vírus. O tratamento baseia-se em aliviar os sintomas da Zika e minimizar os danos que a infecção pode causar até que seu ciclo tenha sido completo.

Basicamente fazemos uso de acetaminofeno (popularmente conhecido como Paracetamol) ou dipirona, para o controle da febre e diminuição da dor. No caso de aparecimento de erupções na pele em forma avermelhadas e pruriginosas (que coçam), os anti-histamínicos podem ser uma boa opção de tratamento.

Vale lembrar que não se recomenda o uso de ácido acetilsalicílico (AAS e Aspirina) e outros anti-inflamatórios, em função do risco aumentado de complicações hemorrágicas descritas nas infecções por outros flavivírus. Em um primeiro momento, todos os casos suspeitos devem ser tratados como Dengue, devido à maior frequência e gravidade conhecida.

Claro, tudo deve ser feito sobre supervisão de saúde especializada em um local adequado para o manejo da doença e do seu curso de tratamento. 

O vírus pode ser transmitido sexualmente?

Sim, existem grandes evidências científicas da transmissão e contaminação do vírus da Zika por via sexual. Tamanha é a preocupação que essa informação traz às autoridades públicas, que a própria OMS divulgou um guia de prevenção e cuidados para a prática do sexo seguro. O texto é voltado para gestante e pessoas que vivem ou visitam áreas de risco, a fim de evitar ainda mais a proliferação da doença.

A organização oficial do Ministério da Saúde que fiscaliza e acompanha a evolução da infecção no país baseia-se nos dados da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), uma entidade da OMS.

Quem já foi infectado uma vez pode ter Zika de novo?

Diferente da Chikungunya, a Zika pode ser adquirida mais de uma vez. Diversos vírus parecidos com o da Zika são amplamente conhecidos por ocasionar imunidade do paciente para com a doença. Vírus como a Dengue, por exemplo, geram no seu hospedeiro a imunidade contra futuras infecções.

O mesmo acontece com a febre amarela. Porém, ainda não há dados científicos suficientes para que possamos afirmar que o vírus da Zika possa agir dessa forma.

Qual a recomendação do Ministério da Saúde para gestantes?

prevenção do Zika vírus

O Ministério da Saúde recomenda às gestantes que não façam uso de medicamentos, que não sejam prescritos pelos profissionais de saúde qualificados, e que façam um pré-natal qualificado e todos os exames previstos nessa fase.

A entidade orienta também que as grávidas relatem aos profissionais de saúde qualquer alteração que perceberem durante o período gestacional. Também é importante que elas reforcem as medidas de prevenção ao mosquito Aedes aegypti, tais como uso de roupas de manga comprida e repelentes indicados para gestantes.

O uso de todas as outras medidas para evitar o contato com mosquitos deve ser tido em consideração, além das formas de prevenção, como evitar criadouros de mosquito com o acúmulo de água parada em casa, no trabalho ou em locais públicos.

Uma das precauções mais importantes para evitar a Zika é que, independente do destino ou motivo, toda grávida deve consultar o seu médico antes de viajar. E quem vive em área de alta transmissão do vírus deve lembrar-se de sempre utilizar preservativos durante o ato sexual.

Cuidados que o público em geral deve ter

como se prevenir da Zika

A utilização de telas contra mosquitos sempre foi uma das medidas mais eficientes e disseminada na América do Sul contra doenças transmissíveis por mosquitos. A tela deve se aplicada em portas e janelas. Mas você pode também usar mosquiteiros, pequenas redes que englobam a cama, para proteger a pessoa do contato com o inseto.

A utilização de roupas que não deixem partes do corpo expostas e uso de repelentes sempre são medidas válidas para o controle da doença. A prevenção sexual já é oficialmente recomendada por outros diversos motivos. Porém, de todas as medidas, a OMS firmemente dá ênfase ao combate dor criadouros do mosquito, como principal arma contra a proliferação da infecção.

E também é bom ressaltar que, ao sentir os primeiros sintomas de Zika, Dengue ou Chikungunya, procure ajuda médica o mais breve possível.

 

Dr. Lyncon Bravo

CRM-RS: 45.186

 

 

 

 

Fontes: Agência Brasil, Portal da Dengue e OMS

Fontes bibliográficas: 

  • Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. Protocolo de vigilância e resposta à ocorrência de microcefalia relacionada à infecção pelo vírus Zika. Brasília, 2015.
  • Crédito das imagens: Freepik