Dia nacional da saúde da população negra é comemorado nesta terça; saiba mais

A população negra ainda sofre com a falta de acesso à atenção básica

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Dia nacional da saúde da população negra é comemorado nesta terça; saiba mais / Istock

A população negra do Brasil tem um dia em prol da saúde, no país. A data é celebrada hoje (27.10) e representa uma luta de muitos anos, por esta camada da população.

Segundo levantamento da Coordenação Geral de Informações e Análise Epidemiológica da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, a mortalidade das mães na maternidade afeta muito mais à população negra, do que aos demais.

Assim, das mortes, cerca de 69 eram mulheres negras, para 50 mãe brancas, em cada grupo de 100 mil. Por outro lado, homicídios aparecem como segunda causa de morte mais frequente entre as pessoas e comunidades negras.

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Paciente durante consulta / Foto: Freepik

Doenças mais comuns da população negra

As enfermidades mais comuns percebidas na população negra são genéticas ou hereditárias e exigem acompanhamento médico assíduo. Algumas delas são: Diabetes Tipo II, hipertensão arterial e miomas.

Todavia, os exemplos citados acima podem ser encontradas em pelo menos entre 2% e 6% na população brasileira. E em pelo menos, cerca de 6% a 10% na população negra.

Por outro lado, a Organização das Nações Unidas (ONU), aponta que a população negra apresenta os piores indicadores de saúde se comparadas aos brancos. Aliás, entre os malefícios mais comuns estão:

  • Infecções sexualmente transmissíveis
  • Mortalidade de recém-nascidos antes dos seis dias de vida
  • Hanseníase
  • Mortes maternas
  • Tuberculose
  • Doença falciforme

Veja mais: IBGE: pesquisa aponta que atenção primária à saúde no Brasil está abaixo do ideal

Além disso, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2014, os negros (pretos e pardos) eram a maioria da população no país, representando 53,6% dos brasileiros.

Já agora, 80% da população cujo plano de saúde é exclusivamente o Sistema Único de Saúde (SUS) é negra. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde de 2015, aproximadamente 13,6% das pessoas que já se sentiram discriminadas por médicos ou outros profissionais de saúde destacam o viés racial da discriminação.

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Casal doente / Foto: Freepik

A saúde mental da população negra em meio a pandemia 

Um outro cenário que deveria preocupar, tanto as autoridades de saúde bem como toda sociedade em que vivemos, é a situação de vulnerabilidade vivida por esse contingente de pessoas. Ou seja,  um percentual elevado vive em condições insalubres, sem infraestrutura para cuidar da saúde física e mental.

Imediatamente, se percebe também o impacto causado pela infecção do coronavírus. Um artigo publicado recentemente por grupos ligados a ABRASCO (Associação Brasileira de Saúde Coletiva), aponta mortes pela contaminação do vírus e em concomitância o número de suicídios também crescem diante dessa triste realidade. Assim descreve o texto:

“Essa dinâmica genocida está em curso no Brasil virulento, pois a população negra, além de sofrer com os maiores índices de morte por covid-19, é o grupo racial com maior exposição às formas de contágio, devido ao acesso precário a saneamento básico.”

E ainda continua trazendo sua visão sobre as consequências da pandemia: “Tudo isso tem interferência direta na saúde mental dessa população, provocando medo, ansiedade, desânimo, exigindo processos de luto, entre outros efeitos/demandas psicossociais.”

Para concluir, ações urgentes da Saúde Pública dentre outras, deverão ser tomadas frente a calamidade que a pandemia da COVID 19 continua instalando. E que tais ações sejam voltadas com  um olhar holístico, centrado nas demandas dessas pessoas que vivem sem dignidade e com recursos parcos, isso é o que a população clama e, espera ser ouvida o mais breve possível.

Fonte: Ministério da Saúde

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