Hipocretina: Para Que Serve e Onde Está

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Hipocretina regula o sono, a excitação, o humor e o apetite. Veja quais alimentos buscar e como consumir a substância.

Presentes no hipotálamo lateral, a hipocretina (ou orexina) é responsável pelo nosso equilíbrio energético, apetite e sono. Recentemente descoberta, esse neurotransmissor está em uma série de alimentos que causam vários efeitos positivos e negativos no nosso corpo.

A hipocretina atua em todo o nosso cérebro, principalmente nas quantidades de serotonina, norepinefrina e dopamina. Presentes no hipotálamo, esses hormônios são responsáveis por várias funções do organismo.

E qual é a sua função?

Basicamente o que a hipocretina faz é manter o corpo e o cérebro desperto e atento quando necessário. Cortar o consumo dela pode trazer vários riscos à saúde, assim como consumi-la em excesso. Pessoas com perturbações no sono, por exemplo, podem estar consumindo uma dose muito alta.

As pesquisas evidenciam que a substância atua diretamente na mediação da excitação, ou seja, controla nossos impulsos, humor e libido. A hipocretina tem a função de regular a vigília durante o sono, o tamanho da nossa fome e a concentração na hora de estudar. Os alimentos ricos em hipocretina são os carboidratos e as proteínas.

Quais são, então, os efeitos da falta de hipocretina?

Muitas vezes as pessoas cortam o consumo de carboidratos erroneamente na tentativa de perder peso mais rápido. Isso pode desequilibrar o organismo, pois deixa-o completamente sem acesso ao neurotransmissor. O que pode causar cansaço, tonturas, falta de concentração, problemas de sono e até mesmo dependência de narcóticos.

Em pessoas que já têm histórico com drogas ou álcool, é muito importante manter os níveis de hipocretina regulados. A falta da hipocretina também pode causar doenças graves, como narcolepsia ou catalepsia. Ela também influencia nosso metabolismo as mudanças na temperatura corporal.

A falta da hipocretina no hipotálamo aumenta em demasia a sensação de sede e fome e pode até mesmo levar à obesidade. Sem falar que aumenta os níveis de ansiedade e paranóia.

O sonambulismo também é um sintoma da escassez do neurotransmissor. Geralmente os sintomas mais latentes do sonambulismo surgem entre os 15 e os 30 anos.

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Hipocretina: onde encontrar?

Dizer que está presente em carboidratos e proteínas é muito amplo. Sabe-se também que o café, o chocolate amargo e as pimentas são ricos em hipocretina. Alguns estudos atuais comprovam que os aminoácidos são predominantes em alimentos de origem animal, como a clara do ovo e as carnes branca e vermelha.

O que os médicos argumentam é que apesar de a hipocretina ser facilmente encontrada em massas, pães e outros alimentos cheios de açúcares, as refeições com proteínas são mais eficazes para aumentar os estímulos. E se o seu objetivo é emagrecer, talvez não seja ideal aumentar o consumo de carboidratos.

Afinal de contas, temos que comer o quê?

São alimentos que os nutricionistas chamam de macronutrientes ou superalimentos. Apesar de serem calóricos, contém gorduras boas, proteínas e vitaminas vitais para o organismo. Pode-se ressaltar o ovo, o abacate, a beterraba, a batata doce, o brócolis, entre outros.

Precisamos do neurotransmissor quando estamos sob estresse e pressão. Mas quem sofre de insônia, deve buscar uma dieta mais restritiva. O excesso de hipocretina causa ainda mais insônia e sobrecarrega o cérebro enquanto dormimos.

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Como repor hipocretina?

Surpreendentemente, um outro estudo revelou ainda que as misturas fisiologicamente relevantes de aminoácidos, os nutrientes derivados das proteínas (como clara de ovo), estimulam e ativam os neurônios produtores de hipocretina.

No final dos anos 1990, alguns cientistas concluiram que as quantidades de hipocretina no organismo são reguladas pelo equilíbrio de macronutrientes,  em vez de simplesmente pelo valor calórico da dieta. Isso sugere que o cérebro contém não só células que detectam a energia, mas também células que podem medir o diretamente aquilo que ingerimos.

Quando os neurônios produtores de hipocretina foram simultaneamente expostos a aminoácidos e açúcares, os aminoácidos serviam para suprimir a influência inibitória da glicose, por exemplo. É como se nosso cérebro funcionasse igual a um computador e soubesse redirecionar os nutrientes dos alimentos que comemos.

Você sente que precisa de mais hipocretina? Como aumentar e o quê comer? Invista em alimentos de alto valor proteico, como ovos, cuscuz, feijão e folhas verdes escuras. Alimentos ricos em carboidratos também podem ajudar.

Alguns suplementos alimentares também podem ser uma boa resposta para equilibrar os seus níveis de hipocretina.

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Hipocretina: narcolepsia

A narcolepsia é uma doença caracterizada pela vontade incontrolável de dormir mesmo quando não se tem sono. A condição é neurológica e afeta milhares de pessoas e animais no mundo todo. Um dos principais sintomas é a ocorrência de episódios irresistíveis de sono. Parece engraçado, mas quem sofre desse problema corre sérios riscos.

Imagina estar dirigindo e de repente adormecer? Ou cair no sono dentro de uma banheira ou piscina? Pessoas com narcolepsia são perigosas para si mesmas e para os outros em sua volta. O sintoma mais expressivo é a “preguiça” e sonolência diurna excessiva. Por isso, nada de achar que dormir mais de nove horas por dia é normal.

Quando os nossos níveis de hipocretina baixam demais, podemos sofrer deste distúrbio e ter dificuldades de realizar até mesmo as tarefas mais comuns, como lavar a louça e levar seu cão para passear. A concentração também é fortemente afetada, fazendo com que seja impossível ler e estudar. Isso faz com que a pessoa passe a apresentar dificuldades no trabalho, na escola e, até mesmo, em casa.

Principais sintomas

A narcolepsia pode afetar qualquer pessoa em qualquer fase da vida. Quando ocorre em bebês, os sintomas são mais difíceis de se diagnosticar, já que quanto menor somos, mais dormimos. Para que se faça um diagnóstico com rapidez, é preciso observar os hábitos diários da pessoa em questão.

Os principais sintomas de narcolepsia podem ser:

  • Períodos de sono intenso durante o dia;
  • Fraqueza muscular;
  • Alucinações auditivas;
  • Visões;
  • Paralisia do corpo ao acordar.

Algumas pessoas além da narcolepsia, sofrem também de cataplexia. Este é um outro problema que causa perda da força muscular e faz com que os indivíduos caiam no chão, conscientes, porém incapazes de falar ou de se mexer.

O diagnóstico da narcolepsia é feito através da avaliação dos sintomas pelos familiares e médicos do paciente. Entretanto, existem exames específicos, como a polissonografia e o teste de latências múltiplas, que estudam a atividade cerebral e os episódios de sono.

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Hipocretina remédio?

Somente no final dos anos 1980 que se descobriu que uma dosagem de hipocretina regulada poderia resultar na melhora de alguns pacientes com narcolepsia. Entretanto, não se sabe se a proteína hipocretina no cérebro é mesmo o que causa o distúrbio.

O que os médicos e cientistas sabem é que o neurotransmissor está fortemente associado ao distúrbio genético da narcolepsia e outras doenças do sono. Normalmente, os sintomas da narcolepsia são tratados com medicamentos, como o Provigil, Metilfenidato (Ritalina) ou Dexedrine, que têm função de estimular o cérebro dos pacientes para continuarem acordados.

Todos os tratamentos têm de ser recomendados e acompanhados por um médico psiquiatra. Alguns remédios antidepressivos, como Fluoxetina, Sertalina ou Protriptilina, podem ajudar a reduzir os episódios de cataplexia ou alucinação. O Xyrem pode ser prescrito para alguns pacientes para uso à noite.

Um tratamento natural da narcolepsia é mudar os hábitos de vida e ter uma alimentação saudável, evitando refeições pesadas, programar um cochilo após as refeições, evitar ingerir bebidas alcoólicas ou outras substâncias que possam aumentar o sono.

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Hipocretina: felicidade é química?

Muita gente pensa que a felicidade está associada a possessão de bens ou dinheiro. A verdade é que isso ajuda, mas não impulsiona de todo a felicidade. Pesquisadores da Universidade da Califórnia recentemente descobriram que o segredo para a felicidade está em um peptídeo, que conhecemos como hipocretina.

Quando estamos felizes, produzimos mais hipocretina. Quando estamos tristes, ela está em falta no nosso organismo. Não é a toa que antidepressivos funcionam no tratamento da narcolepsia.

Quem é que pode ser feliz dormindo o tempo todo? A felicidade é movimento e atividade. Quem está feliz, está em constante mudança.

Saber que a hipocretina afeta diretamente a nossa felicidade fez com que os cientistas questionassem tanto os tratamentos de depressão quanto no estudo de narcolepsia. A pesquisa examinou dois peptídeos no cérebro, o hormônio de concentração da melanina (MCH), que aumentam no início do sono, e a hipocretina, que fica mais alta de manhã, ao acordar.

Para verificar qual o relacionamento entre hipocretina, depressão e narcolepsia, os investigadores acompanharam os exames de oito pacientes internados em um hospital. Estes indivíduos foram escolhidos por serem epiléticos e já estavam sendo monitorados com eletrodos implantados anteriormente.

Então, eles mediram os dois peptídeos enquanto os pacientes assistiam televisão, falavam com funcionários do hospital e com seus familiares, e durante os exames clínicos e o sono. A cada hora os pacientes davam cotação a seus humores em um questionário específico. Todos os detalhes foram importantes para chegar aos resultados.

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Hipocretina: sono, desânimo e depressão

Durante este estudo mencionado acima, os cientistas relataram que quando os pacientes tinham experiência com emoções positivas os níveis de hipocretina subiam. Isso também acontecia quando estavam com raiva, ou tinham interações sociais relevantes, e também ao acordar.

Quando estavam com dor ou dormindo, os níveis de hipocretina ficavam muito mais baixos. Já os níveis de MCH ficavam maiores logo quando os pacientes estavam pegando no sono ou depois de comer, e menores quando tinham dor ou interagiam socialmente.

Este estudo e muitos outros anteriores sugerem que o uso de hipocretina aumenta tanto o humor quanto o estado de alerta em humanos. Por isso é importante ter uma alimentação rica em proteínas. Vegetarianos e veganos que não buscam uma reposição das proteínas animais, podem sofrer distúrbios de sono e humor.

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Alimentos para comer antes de dormir

Para ter um sono tranquilo e evitar o estresse, você tem que ter atenção ao que ingere antes de deitar. Nada de café e doces, por exemplo. O ideal é optar por alimentos desestimulantes, ou seja, que não lhe fornecerão mais energia.

O sono serve para o corpo entrar em modo de repouso e o cérebro descansar. Enquanto dormimos, o nosso cérebro repara várias coisas que estão mal no nosso organismo. Se você tem dificuldade de adormecer, deve incluir na sua dieta as infusões, principalmente de camomila e melissa.

Na hora da janta, aposte no consumo de ovos, leite e derivados, folhas escuras, como o espinafre e legumes. Se quer ingerir carne, opte pelas brancas, dê preferência ao peru. Se gosta muito de frutas, evite as laranjas e coma bananas e morangos.

Fazer alguns exercícios leves antes de ir para a cama podem ser a chave para uma excelente noite de sono.

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Alimentos para evitar antes de dormir

Quer dormir melhor? Comece por cortar as bebidas alcoólicas. Quem faz happy hour tem 80% de chances de dormir mal. Apesar de o álcool causar sonolência, não é uma boa opção para ter uma noite de sono decente.

Os chocolates escuros e os produtos com cafeína como o café e o chá verde também devem ser evitados. Diminuir a ingestão de proteínas à noite também ajuda a reduzir os níveis de hipocretina no horário certo. Como vimos, a hipocretina tem que variar no nosso organismo, não podemos tê-la nem em excesso, nem em falta.

Se você preza a sua relação com seu travesseiro, diga adeus às comidas com muita gordura e condimentos. Este tipo de alimento pode causar coisas indesejadas, como azia ou dores de barriga.

Isso pode impedir que você durma ou fazer você acordar no meio da noite. Comer bacon no jantar pode não ser uma boa ideia, melhor deixar para o café da manhã.

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Pare de fumar

O cigarro e seu consumo excessivo diminuem drasticamente os níveis de hipocretina no cérebro. Pesquisas mostram que os fumantes tem 50% mais chances de desenvolverem narcolepsia, depressão e distúrbios do sono que pessoas saudáveis.

Além disso, o cigarro diminuiu a sua disposição física para praticar exercícios com frequência. Sem falar que os fumantes estão em constante risco de ter problemas cardíacos, pulmonares, envelhecimento precoce, diversos tipos de câncer e impotência.

 

 

 

Fonte: Revista Brasileira de Psiquiatria e O Globo

Crédito das Imagens: Unsplash