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Fake News na saúde: estudo da Fiocruz alerta para repercussão negativa sobre vacina HPV

Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), publicado na revista Cadernos de Saúde Pública vem combatendo as fake news acerca da vacina contra o Papilomavírus Humano (HPV).

A polêmica começou após meninas com idades entre 11 e 17 anos, se manifestarem em redes sociais, atribuindo a vacina à gestação.

No entanto, a pesquisadora da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz) e uma das autoras da pesquisa, Luisa Massarani, alerta para a importância de se manter atento e evitar as falsas notícias, principalmente na área da saúde.

Pois, elas acabam tendo uma repercussão negativa, muitas vezes devido ao medo e desinformação das pessoas.

“As fake news em saúde são, atualmente, um problema extremamente grave, pois prestam um desserviço à população. Portanto, é necessário estar atento a esse tipo de conteúdo, uma vez que as redes sociais podem ser usadas para reverberar as vozes de movimentos anti-vacina”, adverte.

Fake News na saúde / Fonte: Divulgação da internet
Fake News / Fonte: Divulgação da internet

Fake news e movimento anti-vacina

Por outro lado, um estudo analisou os links mais compartilhados, curtidos e comentados. Para o estudo foram consideradas a redes sociais: Facebook, Twitter, Pinterest e Reddit. Os dados apontaram que as fake news representaram 13,5% dos links com maior engajamento, no período estudado.

Além disso, também foi constatado um forte interesse por temas ligados à saúde, ao desenvolvimento científico e às políticas de saúde. Inclusive, a maioria das manifestações foram favoráveis à vacina do HPV.

Contudo, a Fiocruz analisou 100 páginas onde o tema aparecia, por meio de uma ferramenta de monitoramento digital (BuzzSumo). Mas, 11 delas estavam fora do ar no momento da análise, reduzindo assim o número de links válidos para análise, para 89 links.

Ainda assim, apesar da grande esfera de links analisados e avaliados como com pró-vacina, o estudo identificou notícias falsas, sob o argumento de “gravidez vacinal”.

As notícias falsas pró-vacinação traziam questões relacionadas a sociedade, ciência e saúde pública. Um exemplo é o caso do artigo: Cuba produz vacina contra o câncer: mais de 4 mil pessoas já foram curadas por ela!, publicada no blog Papo Reto?. Apesar de o título falar na “cura” da doença, o corpo do texto indicava que, na verdade, o medicamento havia possibilitado a melhora de sintomas e o prolongamento do tempo de vida dos pacientes.

Leia também: Vacina russa contra a Covid-19 já está em circulação; confira

Importância e evolução das vacinas

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as vacinas são responsáveis por evitar quase 3 milhões de mortes em todo o mundo.

Apesar disso, o Ministério da Saúde do Brasil, mostrou uma queda clara e constante de todas as vacinas destinadas a crianças menores de dois anos de idade, desde 2011.

Contrariando a todas as estatísticas e conquistas positivas já alcançadas, o país que já foi considerado 100% livre do sarampo, perdeu o certificado de erradicação da doença em 2019.

Por fim, o estudo ainda apontou que, apesar do engajamento significativo dos internautas, foram registradas poucas interações aos institutos de ciência e saúde. Por outro lado,quanto aos órgãos governamentais da área de ciência e tecnologia, o resultado foi ainda pior: páginas de ministérios, agências reguladoras, secretarias municipais e estaduais e entidades de fomento à pesquisa não foram identificados entre os links de mais engajamento.

Leia também: Vacina de Oxford: SUS prevê disponibilização ao público a partir da janeiro

“Vacinas e o desenvolvimento de novos imunizantes despertam interesse dos usuários das redes sociais, mas as instituições acadêmico-científicas têm uma participação limitada em pautar estas conversações de maior engajamento”, afirma Massarani.

Veículos jornalísticos geram maiores interações sobre vacinas nas redes

Por meio do estudo, a Fiocruz pôde chegar à conclusão de que os meios de comunicação têm um peso grande, na hora de disseminar estas fake news.

No entanto, os links analisados apontaram cerca de 45 foram classificados como “profissionais”. Ou seja, aqueles que têm uma política editorial clara e identificável.

Mas, o ponto mais grave era que apenas três links apontavam para sites de instituições acadêmico-científicas: Ou seja, dando credibilidade à fonte e segurança aos leitores e internautas.

Por fim, com relação a isso, Massarani avaliou que falta investir um pouco mais de recursos materiais e humanos, para fortalecer o engajamento dos sites de instituições científico-acadêmicas, com os demais sites de notícias. Garantindo assim, não só a divulgação de conteúdos verídicos, bem como a divulgação do trabalhado realizado por estas instituições.

Fonte: Fundação Oswaldo Cruz

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Lina Obaid
Jornalista, graduada pela Unic (2016). Pós graduada em Marketing e Comunicação, pela Faipe (2019). E no momento, estudante de Direito pela Unifama (1° semestre)

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