Pinguim morre depois de engolir máscara facial jogada na praia

O crime ambiental aconteceu no feriado de sete de setembro, quando as praias ficaram lotadas, pinguim morreu de fome

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Animal foi encontrado morto dois dias depois do feriado prolongado. Morte está atrelada a uma máscara facial localizada no estômago do pinguim (Foto: Instituto Argonauta)
Pinguim morre depois de engolir máscara facial jogada na praia (Foto: Instituto Argonauta)

Um pinguim foi encontrado morto após o feriado de sete de setembro, na praia de Juquehy, na cidade de São Sebastião, no Litoral Norte de São Paulo. O animal passou por necropsia e foi descoberta uma máscara embrulhada em seu estômago.

Segundo o Instituto Pinguim Argonauta, responsável pela necropsia, a fauna sofre as consequências do grande número de pessoas que frequentaram as praias do Litoral Norte de São Paulo (Ubatuba, Caraguatatuba, São Sebastião e Ilhabela) no feriado prolongado.

“Uma pessoa que descarta no chão uma máscara facial, que pode estar contaminada, e que pode contaminar outra pessoa, não tem empatia com a natureza”, lamentou o oceanógrafo Hugo Gallo, diretor do Instituto. “A primeira vítima encontrada foi o Pinguim-de-Magalhães (Spheniscus magellanicus)”.

O Pinguim-de-Magalhães

De acordo com a bióloga Carla Beatriz Barbosa, o Pinguim-de-Magalhães é uma espécie encontrada na Patagônia Argentina e Chilena e nas Ilhas Malvinas.  São aves marinhas com o corpo adaptado para viverem na água, mas não voam, e têm suas asas modificadas em nadadeiras.

A bióloga explica que os pinguins permanecem na água durante a época não reprodutiva, entre os meses de abril e setembro. “Nesta época, eles saem em busca de alimento e se aventuram por distâncias mais longas, podendo chegar até o nosso litoral. Alimentam-se de peixes, cefalópodes (polvos e lulas) e pequenos crustáceos”, detalha a bióloga.

“É neste período que esses animais são encontrados, muitas vezes fracos, debilitados e necessitando de cuidados. Aqui na região, estes animais são encaminhados para o Centro de Reabilitação e Despetrolização de Ubatuba ou para São Sebastião, para que depois de reabilitados sejam devolvidos à natureza”, finalizou Carla.

Pinguim de Magalhães foi a primeira vítima do feriado prolongado (Foto: Souza Junior)
Pinguim morre depois de engolir máscara facial jogada na praia (Foto: Souza Junior)

Histórico

A equipe do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) do Instituto Argonauta foi acionada para recolher o animal morto. De acordo com informações da equipe técnica, ele estava muito magro e com muita areia em todo o corpo.

Os animais mortos que são recolhidos pela instituição são encaminhados para necropsia com o fim de identificar a causa da morte. Segundo os biólogos responsáveis, o lixo deixado na praia é frequentemente encontrado nos exames.

Ainda assim, o pinguim levado para a Unidade de Estabilização (UE) do Argonauta para necropsia, surpreendeu a todos quando o exame identificou “lixo da pandemia enrolada em seu estômago, uma máscara facial N95”.

“A falta de educação da população que frequenta o Litoral Norte, em relação a questão de resíduos nas praias, precisa ser trabalhada de forma eficiente em todos os níveis, desde a criança nas escolas, assim como a criação de legislação mais rígida para evitar que as pessoas joguem lixo em qualquer lugar”, explica Gallo.

“Também são necessárias políticas de fiscalização na legislação que coíba com multa, bem como trabalhar a colocação de lixeiras”. Segundo ele, o impacto não é apenas na fauna, mas também na saúde e na economia, porque tem que limpar a sujeira que as pessoas deixam.

E conclui: “Se deixar a Praia Grande com o lixo que as pessoas estão deixando, por exemplo, no dia seguinte ninguém vai querer ir lá. Está se tornando um problema crônico e de grande impacto”, avaliou o oceanógrafo.

Lixo nas praias

O Instituto Argonauta divulgou uma avaliação prévia da quantidade de lixo que foi encontrada nas praias do Litoral Norte. A bióloga Natalia Della Fina, responsável pelo “Boletim do Lixo“, observou que houve maior incidência nos resíduos no feriado prolongado, como resultado do aumento de número de pessoas nas praias durante o período.

“Estamos trabalhando com lixo marinho há 23 anos, sempre tentando educar e reabilitar os animais que apresentam problemas. Essa é uma nova ameaça que infelizmente chegou junto com a pandemia”.

Ele avalia que, embora a pandemia tenha reduzido o volume de lixo quando tirou as pessoas da praia, do mesmo modo está aumentando com o descarte de máscaras em local inadequado.

No período entre 16 de abril até o dia 13 de setembro, foram 113 máscaras descartadas nas praias do Litoral Norte de São Paulo. Destas, dez foram recolhidas no dia oito de setembro.

A Praia Grande, em Ubatuba, amanheceu com acúmulo de lixo em vários pontos da areia, como pode ser visto na foto.

Acúmulo de lixo na Praia Grande de Ubatuba/SP na manhã do dia 7 de setembro. (Créditos: Divulgação/Instituto Argonauta)
Acúmulo de lixo na Praia Grande de Ubatuba/SP na manhã do dia 7 de setembro. (Créditos: Divulgação/Instituto Argonauta)
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