Transplante de rim: vítima do caso Backer receberá o órgão da sua esposa

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Transplante de rim será feito em vítima do caso Backer
Transplante de rim será feito em vítima do caso Backer (Imagem: Reprodução/Cristiano Gomes)

A emoção vem tomando conta de um casal há um tempo. A cirurgia para o transplante de rim de Cristiano Gomes, uma das vítimas do caso Backer, finalmente acontecerá nesta terça-feira (29/09). A doadora será sua esposa, Fávia Shayer, que se prontificou a praticar esse gesto tão nobre, de amor.

A internação de ambos se dará a partir das 15:00 de hoje (28/09) no Hospital Felício Rocho. Entretanto, doadores de sangue serão de suma importância, já que a necessidade da família é que se reúna aproximadamente 40 pessoas para mais um gesto de solidariedade.

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Tanto quanto Flávia, Cristiano está cheio de expectativas boas. Amigos e familiares estão fazendo uma corrente de orações e pensamentos positivos, uma vez que todos desejam que o pesadelo acabe logo, de vez.

Transplante de rim é necessário por conta da intoxicação pelo dietilenoglicol

Cristiano é símbolo da importância da doação de órgãos
Cristiano é símbolo da importância da doação de órgãos (Imagem: Reprodução/Cristiano Gomes)

O transplante de rim, no caso de Cristiano, será de suma importância para sua recuperação total após ter se intoxicado com a substância dietilenoglicol. O fato ocorreu quando a vítima tomou a cerveja da empresa Backer, a Belorizontina. Foram, ao total, dez garrafas consumidas no fim do ano passado, 2019, para, às vésperas do natal, Cristiano ser internado e seu rim parar de funcionar.

O corpo da vítima chegou a permanecer praticamente todo paralisado por um tempo. Assim, Cristiano permaneceu internado por três meses, mas, ao receber alta, foi necessário o acompanhamento e a diálise peritoneal diariamente por cerca de dez horas.

Entrar para a lista da espera para doação de rim foi seu outro desafio. A diminuição nos índices de doação de órgãos diminuiu bastante nos últimos meses, o que preocupou paciente e família. Dessa forma, a fim de evitar mais espera e sofrimento, sua esposa Flávia resolveu ser candidata para a doação. No mês de agosto a notícia da compatibilidade dos seus rins com o do esposo deu uma nova esperança para o casal.

Dr. Ricardo Gontijo será o responsável pela cirurgia. Ele é coordenador de um programa para transplantes de rins e pâncreas no Hospital Felício Rocho. O médico explica que o procedimento durará aproximadamente duas horas. O procedimento se iniciará em Flávia e, simultaneamente, em Cristiano. O prognóstico é bom, restando somente aguardar uma boa evolução.

A importância da doação de órgãos

Cristiano e sua esposa, Flávia
Cristiano e sua esposa, Flávia

Na Semana Nacional de Doação de Órgãos, faz-se ainda mais necessária essa conscientização. Ao se declarar como doador de órgãos, a pessoa tem a chance de salvar e melhorar a vida de até 75 pessoas. Mas, embora quase todos os adultos no Brasil apoiem essa iniciativa, poucas famílias acabam autorizando a doação, visto que existem cerca de 47.000 indivíduos aguardando um transplante.

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O problema é que muitos ainda se resguardam por temerem esse tipo de procedimento, pois não possuem informações relevantes o suficiente para desmistificar o tabu que o cerca. Por exemplo, várias pessoas pensam que não são elegíveis para se tornar um doador, talvez por causa de uma doença ou da sua idade. Mas existem apenas algumas condições de saúde que o proíbem de ser um doador, como câncer ativo, uma infecção na corrente sanguínea ou HIV.

Além disso, a idade não importa – desde recém-nascidos até idosos podem ser doadores. Na verdade, a saúde e a condição de seus órgãos é o que importa. Assim, quem tem mais de 18 anos, pode se registrar para ser um doador, podendo fazer uma alteração nesse sentido a qualquer momento.

A compatibilidade entre doador e receptor

Tanto as doações após a morte quanto as doações em vida exigem que o receptor e o doador sejam compatíveis. Existem alguns fatores comuns no processo de correspondência – como o tipo sanguíneo e há quanto tempo o paciente está na lista de espera – mas outros fatores são mais importantes, dependendo do órgão que está sendo doado.

Por exemplo, os corações e os pulmões não sobrevivem fora do corpo tanto quanto os rins, portanto, a distância geográfica pode ser determinante se um órgão é compatível ou não com alguém que precisa.

Os fatores de correspondência incluem:

  • Tipo sanguíneo;
  • Tamanho do corpo;
  • A condição médica do destinatário;
  • Distância entre os hospitais do doador e do receptor;
  • Quantidade de tempo que o destinatário passou na lista de espera.

O processo de correspondência faz com que o corpo do receptor seja capaz de aceitar o novo órgão. No entanto, reduz o número de pessoas das quais os pacientes podem receber um órgão.

O Cristiano tem o órgão da esposa sendo correspondente, portanto, passará pelo transplante de rim sem uma longa espera. Entretanto, outros não possuem a mesma sorte. Quanto mais pessoas estiverem na lista de doadoras, há uma chance maior de que alguém que precise de um órgão encontre uma correspondência para salvar sua vida.

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