Igreja evangélica fecha as portas depois da morte de obreiro por Covid-19

Mais de 40 pessoas envolvidas com a organização da denominação, podem estar contaminadas

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Igreja evangélica fecha as portas depois da morte de obreiro por Covid-19 (Foto: Luis Quintero)

São Paulo, 28 de dezembro de 2020 – Depois da morte de um obreiro (pessoa que exerce trabalho voluntário regular durante cultos e eventos) uma igreja evangélica da capital paulista decidiu fechar suas portas devido à pandemia do coronavírus.

O pastor, sua família e assim como 40 pessoas envolvidas com a organização da denominação, podem estar contaminadas. A orientação foi dada depois da morte do jovem, de apenas 22 anos de idade. Conforme comunicado, o obreiro estava noivo e iria se casar na primeira quinzena de janeiro.

A igreja, bastante conhecida por ter um público jovem em seus cultos, decidiu fechar as portas e entrar em isolamento social junto com sua família. Assim, em comunicado aos fiéis, feito através de Live em uma rede social, ele orientou a todos “que estiveram na celebração presencial do culto do último domingo” fizessem o exame.

“Faremos o (exame) PCR em alguns dias, segundo a indicação médica. Além da dor do luto, estamos muito preocupados de quantas pessoas podem ter se contaminado também”, lamentou.

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Várias igrejas insistiram em manter suas portas abertas e cultos presenciais (Foto:Luis Quintero)

Igreja em risco

Enquanto isso, no Rio de Janeiro, M., do sexo masculino e 37 anos de idade, frequentador de uma igreja evangélica, passou dez dias na UTI, lutando contra o coronavírus. Ele conta que a mãe e a irmã também foram contaminadas. “Fiz um teste de farmácia e deu positivo. Corri ao posto de saúde e deu o falso negativo. Dias depois piorei bastante, tinha falta de ar e estava indisposto e sem apetite”, conta. “Nesse hiato perdi 15 quilos”, lamenta.

Com a piora, M. decidiu procurar o hospital: “Estava com baixa oxigenação e decidiram me internar”. Ele conta que foi diagnosticado com pneumonia dupla, com 50% dos pulmões comprometidos, além de comorbidades como diabetes e pressão alta, que aumentou o risco.

“Me preocupei ainda mais pela falta dos meus remédios de controle; nem insulina me aplicaram no primeiro dia da internação” e para piorar, M. afirma que foi medicado com corticoide, que não poderia tomar por ser diabético.

“Meu medo era acabar sedado, ou com traqueostomia”, comenta. “É assustador. Meus amigos levaram meus remédios contínuos escondido, creio que isso ajudou a salvar minha vida”. Além disso, ele diz ter ficado mais de oito horas em jejum, em risco de ter uma crise de hipoglicemia, que é a baixa da taxa de açúcar no sangue e pode provocar fraquezas, desmaios e até confusão mental.

A equipe médica e de enfermagem foi atenciosa e cuidadosa dentro do possível, segundo M.; porém, são poucos para a quantidade de pacientes. “Isso faz com que errem com os pacientes, é humanamente impossível darem conta de tudo”, lamenta.

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Equipe médica é pequena para o número de internados, informa paciente (Foto: Femerj)

Papel da igreja

“Como cristãos, temos feito um papel muito porco, não temos cuidado direito uns dos outros. Nas igrejas, durante os cultos, principalmente pentecostais, as pessoas se tocam, caem no chão. Não existe isolamento social, o que é inadmissível!”, revolta-se.

“As pessoas não devem obedecer a esses líderes que, por medo de perder seu poder financeiro, colocam as vidas em risco, em hospitais lotados, com profissionais exaustos e remédios em falta”, analisa o membro da igreja.

“Há pouco tempo, uma personalidade gospel veio a público e declarou que cristãos estão imunes ao Covid-19. “Só que a Fabiana Anastácio não está mais entre nós, por exemplo”, enfatiza M.

E, por fim, completa: “O pastor Juanribe Pagliarin saiu da UTI há poucos dias, não podemos ser levianos e divulgar mentiras como estas, que cristãos estão imunes, só para promover entretenimento na igreja”.

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Um pastor afirmou que a vacina desenvolvida na China altera o DNA e causa câncer e será responsabilizado pelo MP (Foto: Luis Quintero)

Discurso negacionista da igreja

Desde o início da pandemia, várias igrejas insistiram em manter suas portas abertas e cultos presenciais, alegando que a pandemia não era tão grave, conforme discurso do presidente Jair Messias Bolsonaro, que durante meses minimizou os riscos de contágio do Covid-19.

Por isso, muitos obreiros acabaram contaminados pelo coronavírus, alguns vindo a óbito, como a cantora Fabiana Anastácio. Ela foi contaminada em maio deste ano. Nesse meio tempo, o cantor Nani Azevedo, de 57 anos, continua internado em estado grave, desde antes do Natal.

O pastor Davi Góes, do Ceará, afirmou durante um dos seus cultos que a CoronaVac ‘tem HIV dentro dela’. Em vídeo compartilhado em redes sociais, o pastor disse também que a vacina desenvolvida na China altera o DNA e causa câncer.

Por outro lado, o Ministério Público do Ceará pede que o líder religioso seja responsabilizado civil e criminalmente por divulgar em rede social “notícia inverídica” sobre a vacina.

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