O estresse e a ansiedade podem levar ao infarto, veja as causas e saiba evitá-las

Pessoas vítimas de infarto (não fatal) relataram quatro fatores de estresse: Estresse no trabalho, em casa, financeiro e adversidade nos eventos de vida no ano anterior

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O estresse, segundo estudos, pode causar infarto (Foto:
O estresse e a ansiedade podem levar ao infarto, veja as causas e saiba evitá-las (Foto: Sufi NYC)

O estresse mental ou emocional, está sendo levantado por especialistas na área de cardiologia, como um dos desencadeadores do infarto agudo do miocárdio. “Há muito tempo se cogita, mas agora estamos pautando o assunto de forma consistente”, informa Antônio Ascenção, médico cardiologista e pesquisador.

“No século 18, o cirurgião John Hunter disse que sua vida estava nas mãos de qualquer salafrário que o escolhesse para aborrecer. Em virtude disso, acabou entrando em colapso ao sair de uma reunião acalorada do conselho do hospital onde trabalhava”.

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Ascenção cita ainda o médico inglês John Calthrop Williams, que em 1836 escreveu um tratado sobre as palpitações nervosas e simpáticas do coração, onde dizia que as desordens nervosas do coração eram muito freqüentemente confundidas com doenças orgânicas.

“Embora estudos tão antigos associem o stress ao risco de infarto, ainda temos médicos céticos nos dias de hoje, o que é preocupante”, enfatiza o especialista. “O estresse mental é uma das principais queixas dos pacientes e conhecemos as alterações fisiológicas que acabam repercutindo negativamente no sistema cardiovascular, especialmente sobre a função miocárdica”.

Estresse e infarto
Ansiedade e estresse podem levar ao infarto, veja as causas e saiba evitá-las (Imagem: Incrivel Club)

O que pode preceder o infarto

Observe a seguir como o desarranjo emocional pode sobrecarregar as funções cardíacas e comprometer seriamente a saúde.

“Igualmente, um homem que morreu durante um jogo de cartas. Ele não conseguia mais relaxar nem durante seus momentos de lazer”, explica. “O estresse faz com que a pessoa viva no limite. Como se fosse um carro em constante processo de aceleração. Não há motor que suporte!”.

O cardiologista discorre sobre os eventos estressantes emocionais, que tanto precedem, assim como parecem desencadear, o início do infarto agudo do miocárdio. Estudos recentes em pacientes com infarto não fatal, relataram episódios de irritabilidade no período de até duas horas antes do infarto.

Condições favoráveis ao infarto

Recentemente, foi feito um grande estudo internacional controlado, chamado de Interheart, onde 262 centros especializados em problemas cardíacos, em 52 países dos 5 continentes, listaram pacientes com infarto agudo do miocárdio (IAM).

Nesta avaliação, nove fatores de risco explicaram mais de 90% do risco atribuível para IAM. Fatores como tabagismo, obesidade central, diabetes, hipertensão foram significativamente associados, bem como o estresse psico-emocional como um importante fator de risco para o IAM.

Outros fatores de risco

O estudo descobriu, igualmente que o estresse no trabalho ou no lar aumenta o risco de um infarto do miocárdio em quase três vezes, quase a mesma relação encontrada com o fumo e o colesterol alto e inclusive superior ao encontrado para o diabetes.

Em 14,4% dos pacientes infartados foram expostos a situações de raiva ou perturbações emocionais no período de uma hora antes do início dos sintomas. O resultado foi o mesmo em todas as regiões do mundo, em homens e mulheres e em todas as faixas etárias, sem efeitos modificadores significativos.

Pesquisadores do Interheart dividiram os causadores como estressantes externos, (por exemplo: o tipo de trabalho, eventos de vida adversos e problemas financeiros) e reações potenciais de estresse (a depressão, exaustão da vida, ansiedade, angústia, bem como dificuldades para dormir).

Estudos demonstram que o estresse pode levar ao infarto
Estudos demonstram que o estresse pode levar ao infarto (Foto: Divulgação/DailyMED)

A avaliação de propensão ao infarto

Logo no início, os principais eventos adversos da vida foram elencados aos participantes, que aliás, deveriam assinalar se o tiveram no ano anterior. E as sugestões elencadas foram: separação marital ou divórcio, perda de trabalho ou aposentadoria, perda de receita ou fracasso nos negócios, violência.

Em seguida: Conflitos familiares importantes, lesão ou doença pessoal, morte ou doença de um membro da família próximo, cônjuge, ou outro estresse.

Nesse sentido, foi feita, por fim, uma avaliação de depressão. A pergunta era se, durante os últimos 12 meses, o participante se sentiu triste ou depressivo por duas semanas seguidas ou mais. E em caso de resposta positiva, respondia a sete questões com sim ou não.

Veja quais são:

Perdeu interesse nas coisas? Sentiu-se cansado ou com pouca energia? Ganhou ou perdeu peso? Teve dificuldades para dormir? Apresenta problemas de concentração? Tem pensamentos sobre a morte? Sentiu-se sem valor?

Cinco ou mais respostas positivas foram definidas como depressão.

O resultado obtido foi que pessoas vítimas de infarto do miocárdio (não fatal) relataram alta prevalência de quatro fatores de estresse: Estresse no trabalho, estresse em casa, estresse financeiro grave (o mais típico nos casos que tiveram infarto) e adversidade nos eventos de vida no ano anterior.

Mudança de hábitos

Ascenção pontua que o estudo foi feito pré-pandemia. “Os efeitos de estresse é um elemento importante trazido pelo Coronavírus; 99% das famílias brasileiras foi atingida pelos estragos da pandemia, ao menos financeiramente”. E sublinha a questão ainda mais.

“Posso assegurar que não há pessoa que não tenha sido atingida pela Covid-19 em suas atividades diárias e situações onde, sem dúvida, o estresse psico-emocional pode estar envolvido”.

 

O especialista indica que é preciso mudar hábitos (Foto: VisionPic)
O especialista indica que é preciso mudar hábitos (Foto: VisionPic)

Por isso, conclui o especialista, é preciso buscar ajuda psicológica urgentemente, assim como psiquiátrica e mudança de hábitos alimentares e qualidade de vida para evitar o desencadeamento do infarto agudo do miocárdio.

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