Poluição e fumaça podem causar câncer de pulmão; entenda

As queimadas destroem a biodiversidade e também a saúde

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Câncer de Pulmão
Câncer de Pulmão. Foto: Envato

A notícias relacionadas a queimadas em dois biomas importantíssimos do Brasil – Amazônia e Pantanal – ganharam destaque nos últimos dias. Mas, você sabia que, além do prejuízo ambiental, as queimadas também podem gerar uma série de complicações à saúde como o câncer de pulmão, por exemplo?

Não bastasse a degradação constante ao longo dos anos, 2020 tem se destacado negativamente como ‘o pior ano de queimada de todos’. A fumaça e fogo difícil de controlar, podem ocasionar câncer de pulmões, conforme explica o pediatra e toxicologista Anthony Wong, diretor do Centro de Assistência Toxicológica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

“Toda queimada solta substâncias irritantes. O maior problema é a fuligem, uma substância preta que, se a pessoa inalar, pode levar à inflamação dos pulmões e das vias aéreas. Quando o pulmão inflama, dificulta a passagem do ar”, destaca.

Contudo, o Brasil está perdendo sua biodiversidade para as queimadas. Segundo dados da Embrapa Pantanal, via INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), entre 1 de julho e 22 de setembro foram registrados 5.568 focos de queimadas no Pantanal.

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risco de câncer de pulmão / Foto: Reprodução da in
Risco de câncer de pulmão / Foto: Reprodução da internet

Entretanto, um estudo publicado em 2017 na revista científica Nature mostrou que a inalação de partículas presentes na fumaça de queimadas causa danos ao DNA, estresse oxidativo e morte das células dos pulmões.

“No entanto, se as células não forem capazes de lidar com o dano ao DNA e não houver a morte celular [das células intoxicadas], pode ocorrer mutações, levando ao desenvolvimento do câncer de pulmão”, aponta a pesquisa.

Câncer de pulmão no Brasil

O câncer de pulmão é a principal causa de morte por câncer entre homens e mulheres, no Brasil. Representando aproximadamente 25% de todas as mortes por câncer do país. Anualmente, morrem mais pessoas de câncer de pulmão do que de mama e próstata combinados.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa é de que a cada ano entre 2020 e 2022 sejam diagnosticados 30.200 novos casos de câncer de pulmão no Brasil.

Esses valores correspondem a um risco estimado de 16,99 casos novos a cada 100 mil homens e a 11,56 para cada 100 mil mulheres. Mas, vale ressaltar que o câncer de pulmão ocorre principalmente em pessoas mais velhas.

Ainda assim, a maioria dos pacientes diagnosticados com câncer de pulmão tem 65 anos ou mais, enquanto um pequeno percentual de casos é diagnosticado em pessoas com menos de 45 anos. A idade média no momento do diagnóstico é de 70 anos completos.

Representação gráfica de câncer de pulmão / Fonte: Dráuzio Varella
Representação gráfica de câncer de pulmão / Fonte: Dráuzio Varella

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A maioria das estatísticas sobre câncer de pulmão inclui dois tipos o câncer de pulmão de pequenas células e o câncer de Pulmão de não pequenas células. Em geral, cerca de 15% de todos os cânceres de pulmão são de pequenas células e 85% são de não pequenas células.

Biomas e queimadas

O pneumologista Elie Fiss, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, destaca que os “Picos de poluição aumentam em 20% o número de pessoas que procuram o pronto atendimento”.

Em agosto (16.08), a Agência Espacial Americana (Nasa) lançou o Amazon Dashboard, uma ferramenta para facilitar o monitoramento tipos de fogo em tempo real.

Dados do Inpe mostram que o Pantanal teve o maior número de focos de calor já registrado para o mês em mais de 20 anos. Por outro lado, a Amazônia também apresenta alta de 61% nos incêndios em comparação com 2019.

Além disso, o Pantanal enfrenta a pior seca dos últimos 60 anos. Especialistas indicam que o aumento dos focos estão diretamente relacionados aos níveis de desmatamento. Já que tem crescido substancialmente o desmatamento ilegal, gerando uma série de mudanças climáticas, como a alteração do ciclo natural das chuvas.

Rostos do pantanal / Fonte: CTDN
Rostos do pantanal / Fonte: CTDN

A depressão também afeta quem sofre com as mudanças climáticas

Nesse sentido, como se não bastasse, a tragédia ambiental também afeta muito a saúde mental da população pantaneira. O professor de psicologia da UFMS (Universidade Federal do Mato Grosso do Sul), Alberto Mesaque, ressalta que existe uma ligação forte e direta entre as pessoas e o território onde elas vivem.

“Além de ser sagrado, é um lugar de subsistência, então, junto com as queimadas surgem dúvidas: ‘será que não vou ter como me sustentar?’ Mas também tem a questão de ver o território onde estão minhas raízes sendo destruído”, pondera.

Ele também reforça que “Sempre há fogo no Pantanal, mas esse ano foi bastante devastador, então isso é vivenciado pela população como uma catástrofe”.

Em outras palavras, Mesaque explica que essa destruição gera, ao mesmo tempo, sentimentos de impotência e de descontrole, que podem desencadear ou piorar transtornos psicológicos como ansiedade por exemplo.

O professor ainda enfatiza que a preservação da saúde mental é de responsabilidade coletiva, e não algo que vem do interior do indivíduo para o mundo externo. Por isso, não é possível que as pessoas sozinhas se mantenham emocionalmente saudáveis.

“Quando a gente fala de preservação do meio ambiente também estamos falando de prevenção da saúde mental. Defender o Pantanal é defender a saúde mental da população pantaneira”, alerta.

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Fonte: Revista Nature / INCA

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